Homenagem a João Ataíde juntou 80 pessoas na Figueira da Foz em violação das regras

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Uma homenagem ao ex-presidente da autarquia da Figueira da Foz João Ataíde, que morreu em fevereiro, realizada hoje junto à praia do Cabedelo, reuniu 80 pessoas entre familiares e políticos, em violação das regras de distanciamento social.

“Declaradamente, é daquelas situações em que a emoção se sobrepôs à razão”, disse à agência Lusa o atual presidente da Câmara Municipal, Carlos Monteiro (PS), presente na cerimónia.

A homenagem, promovida no último dia da etapa inaugural da liga portuguesa de surf, cerca das 19H00, antes das finais feminina e masculina da competição, acabou por levar ao molhe sul do rio Mondego, anexo à zona de competição, diversos familiares e amigos de João Ataíde.

Estiveram ainda presentes pelo menos dois vereadores do executivo municipal, os deputados socialistas Pedro Coimbra e João Gouveia, o presidente da Assembleia Municipal da Figueira da Foz, José Duarte e antigos e atuais funcionários da autarquia da Figueira da Foz, entre outras pessoas, constatou a agência Lusa no local.

“A organização [da prova de surf, que quis homenagear o ex-autarca] teve a preocupação de restringir muito o número de pessoas mas [a homenagem] foi do conhecimento público, o João Ataíde foi um presidente durante 10 anos que muito marcou a Figueira e as pessoas chegaram, associaram-se. A maior parte delas trazia máscara, [isso] não justifica a alteração e o número de pessoas que estava, mas também era impossível mandar as pessoas para trás, evitar, foi um daqueles atos espontâneos de amor e de paixão de quem reconhece o trabalho que foi feito durante 10 anos”, acrescentou Carlos Monteiro.

O autarca admitiu que teria preferido que “as coisas tivessem decorrido, no mínimo, com mais afastamento”, a exemplo dos responsáveis da prova de surf.

“Todos tínhamos preferido mas, na realidade, João Ataíde foi uma figura marcante no concelho, infelizmente, a morte dele foi trágica, foi muito recente e as pessoas quiseram dizer que ele está na nossa memória”, argumentou Carlos Monteiro.

Os participantes, que percorreram, a pé, cerca de 400 metros no molhe sul, concentraram-se de frente para a zona de surf, onde uma moto de água de apoio à prova, transportando um dos filhos de João Ataíde e uma coroa de flores, parou durante uns minutos.

Foi feito um minuto de silêncio e a coroa de flores foi exibida aos participantes na homenagem e lançada à água.

Na altura, Francisco Rodrigues, presidente da Associação Nacional de Surfistas (ANS), entidade promotora da liga portuguesa e da homenagem de hoje, também presente no local, pediu aos participantes que se afastassem uns dos outros, o que foi cumprido, mas já no final da cerimónia, antes de uma salva de palmas.

A agência Lusa tentou ouvir o presidente da ANS, mas este entendeu não prestar declarações.

O Figueira Pro, que foi também a primeira prova da modalidade disputada no mundo depois da interrupção provocada pela pandemia de covid-19, foi ganho, em masculinos, por Frederico Morais, que bateu na final Filipe Jervis.

No setor feminino, Teresa Bonvalot derrotou Carolina Mendes, na final disputada nas ondas do Cabedelo.

O presidente da Câmara, Carlos Monteiro, garantiu que a parceria com a ANS para manter na Figueira da Foz uma etapa da liga portuguesa de surf “é para continuar”, assinalando a “grande vantagem” que o município possui em ter ondas quer a sul do Mondego, quer a norte, como na praia da Murtinheira, para onde a competição se mudou no sábado e na manhã de hoje, por ausência de ondas na praia do Cabedelo.

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