Opinião: Povo informado

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Há tantas coisas que estão a correr mal e que nos deveriam fazer pensar. Eu sei que a vida obriga a contemporizar e a aceitar determinadas imposições que, apesar de não nos agradarem e sabermos que estão erradas, acabamos por aceitar porque temos uma família, obrigações a cumprir e, na verdade, desvalorizamos, porque avaliamos os outros pelos nossos princípios. No entanto, sempre soubemos que este “desleixo” conduz, com o tempo, a situações limite, pelo que é necessário ser exigente com quem elegemos, e observar e avaliar a sua ação, pois a democracia e a liberdade, sendo frágeis, têm muitos inimigos. A armas de uma sociedade responsável são a informação clara e rigorosa e a cultura de intervenção e participação. Não prescinda disso, pois, caso contrário, o preço será muito doloroso.
Um bom exemplo da nossa demissão como sociedade é o Novo Banco. Tudo o que se passa com esta empresa é a imagem da falência do Estado, mas também do desinteresse dos portugueses. Os contribuintes pagam as contas que lhe vão aparecendo e pronto. Depois da resolução vergonhosa do BES, onde desaparecerem mais de 10 mil milhões de euros, da justiça nada ter feito, ao ponto de ninguém ter sido preso, nem terem sido expostos aqueles que viveram e fizeram “vida” à mesa do BES, aparece a suprema VERGONHA do Novo Banco (NB) que se arrasta à custa de todos nós. O NB é uma empresa especial que acumula prejuízos e em que os administradores têm aumentos salariais diretamente proporcionais aos prejuízos.
Quem paga tudo isto? Uma massa de pessoas honradas e trabalhadoras que ganha, na sua esmagadora maioria, menos de 1000 euros por mês. Mas porquê? Sendo na sua esmagadora maioria pessoas com educação formal, inteligentes e com acesso a meios de pesquisa de informação, por que razão continuam a pagar sem refilar? Juro que não faço a menor ideia. Já desisti de entender. Não entendo a justiça, não entendo o Estado e, confesso, não entendo a população. O problema está, de certeza, do meu lado.
Jeff Daniels, protagonista de uma das séries mais importantes sobre jornalismo (Newsroom da HBO), dizia num dos programas dessa série (no papel de pivot de uma importante estação de TV), em resposta a uma estudante que lhe perguntava se os EUA eram o melhor país do mundo, que o país tinha perdido esse estatuto há algum tempo porque deixou de ser um país de pessoas informadas. É por isso que quem quer controlar uma população, e com isso matar um país, por razões mesquinhas e de poder pelo poder, começa por controlar a informação.
Recentemente, com o objetivo de “ajudar” a comunicação social, o Governo resolveu dar dinheiro à comunicação social, esquecendo-se que num país livre e democrático, onde a informação é um valor essencial, os órgãos de comunicação não se vendem, são escolhidos pelos cidadãos.
Na resolução do conselho de ministros (CM), que formalizou o subsídio a certa comunicação social (CS), há, como não podia deixar de ser, indicações reveladoras, nomeadamente os dois quadros do Anexo I e do Anexo II. No primeiro o Governo esclarece quais são os órgãos de CS mais eficazes na divulgação da imagem do regime e que estão em dificuldades em pagar a casa à Cristina, o Brother grande, os comentaristas do regime, etc.
A SIC/Expresso é a que recebe mais “ajuda”, seguida da TVI/Rádio Comercial. Quase 3.5 milhões para cada. Eficazes, pedagógicos e caros. Muito caros. Cheios de estrelas. Depois aparece a CMTV/Correio da Manhã, com menos de metade do valor dos anteriores: 1.7 milhões. Têm de melhorar, pois têm potencial que está a ser desaproveitado. A seguir aparece a TSF/JN com 1 milhão de euros. Coitados, não estão, definitivamente, nas boas graças do Governo. A RR, com menos de 500 mil euros. Claramente a cair para as distritais. E vários jornais e publicações online com alguns milhares de euros.
Critérios? A Resolução do CM não esclarece e, como terá dito Sérgio Figueiredo a Ana Leal quando dissolveu a sua equipa, não é tempo de criticar. A 2ª tabela esclarece de onde vem o dinheiro. O grosso vem da DGS, transformando literalmente a Ministra da Saúde na ministra da propaganda. Depois, mais tarde, perante tomadas de posição de alguns órgãos de CS, apareceram novos valores que corrigiam, em parte, os números associados aos pequenos grupos de CS. Como foram calculados? Mistério. Para que saibam, é assim que se matam países e se coloca a população, em desespero, a votar em populistas de esquerda ou de direita.

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