Opinião – O PS, enfermo e confinado!

Posted by

Depois de António Costa ter relançado a recandidatura de Marcelo Rebelo de Sousa a Presidente da República – numa manifestação pública logo interpretada, e bem, como de apoio –, surgiram no PS críticas à falta de democraticidade interna, o que levou ao agendamento de uma reunião da Comissão Política, que se realizou na última quinta-feira. Uma reunião, que, segundo os que nela participaram, nada trouxe de novo. E, sobre as presidenciais, o Secretário-Geral nada de relevante adiantou, a fazer recordar Ivone Silva, no papel da Olívia Patroa e de Olívia Costureira.
As Presidenciais são uma espécie de sueca à portuguesa com cartas marcadas. Não vislumbro para as Presidenciais personalidade capaz de fazer tremer MRS, o presidente dos afetos e das selfies, sobretudo quando temos tão próximo a data do ato eleitoral. E ainda por cima num tempo em que temos um PS enfermo e confinado, a grupos, amigos e tiranetes.
António Costa parece, e bem, estar mais preocupado com o efeito covid-19 na governação do País. Toda a tempestade visual no horizonte tem de preocupar o destemido otimista, que para ser circundada exige das Instituições Europeias uma oportuna e solidária disponibilidade monetária, firme na resposta, sem egocentrismos confinados ao território, a reconhecerem, que há uns países mais pobres e endividados do que outros, a precisarem de uma terapêutica fora da caixa.
Os economistas da macroeconomia e da política, julgo lerem mensalmente o relatório do IGCP – Agencia de Gestão de Tesouraria e da Dívida Pública, um importante documento, que espelha a situação económica e financeira do País.
A última publicação, quanto à dívida pública, refere que desde 1 de Janeiro a 30 de Abril do corrente ano a dívida pública passou de 251 mil milhões para 259 mil milhões de euros. Em quatro meses a dívida subiu 8 mil milhões de euros, numa média da ordem de 2 mil milhões de euros ao mês, a significar um crescimento da dívida de cerca de de 1% do PIB ao mês.
Ao verificar quem são os credores, constatei que, à data disponibilizada, Fevereiro de 2020, os portugueses (residentes, sem o Banco de Portugal) detinham 32%, quando em Março de 2019 possuíam 36%. O Banco de Portugal e BCE mantinham o nível de intervenção com os 28%. E os não residentes, os maiores credores, com 40% da dívida, aumentaram a compra, porque em Março de 2019 detinham 36%.
Os números indicam que a dívida financiada pelos portugueses (internamente) é inferior a um terço do seu valor total. Parece evidente que os portugueses não a compram porque têm menos poupanças.
BCE/BP vêm mantendo o mesmo nível de compra. E os não residentes, os estrangeiros, são os que mais compram a dívida portuguesa; resta saber até quando e a que preço continuam disponíveis para a comprar.
Na situação atual, a subida das taxas de juro parece inevitável, a não ser que uma forte intervenção do BCE, na compra, o evite. A ausência ativa do BCE no mercado das dívidas soberanas constituirá a tempestade perfeita para o fim europeu.
Em Portugal, o governo que não gosta da palavra austeridade sempre poderá utilizar a expressão de Mário Soares: apertar o cinto mais um furo. Num quadro político em que um vírus tudo alterou, parece que as presidenciais deixaram de ser prioridade, menos uma preocupação.
Neste quadro, nem o desconfinamento e a realização do Congresso do PS vão agitar a acalmia do imenso oceano, por mais vontade que alguns ainda possam ter.

Leave a Reply

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

*

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.