Opinião – O Hospital Compaixão nasceu com o coração, mas em má hora!

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Na injustiça, manter o silêncio é cobardia. A política existe para servir as pessoas. Os atores políticos têm de ser justos na defesa do interesse das pessoas e da causa pública, mas têm de justificar os seus atos.
O Hospital Compaixão nasceu com o coração, mas em má hora. Apanhado pelas engrenagens burocráticas do destino até parece condenado na origem. A ministra Marta Temido, inteligente e tecnicamente competente, com responsabilidades na saúde, tem de contrariar este trágico destino, evitar uma real perda, tem de lhe dar vida, contribuindo para a inversão da frustração social, num espaço territorial do Pinhal Interior, que precisa do afastamento da desertificação.
A ADFP de Miranda do Corvo, promotora do hospital, liderada pelo “Bissaya Barreto” deste tempo, é uma Instituição Particular de Solidariedade Social, sem fins lucrativos, um trabalho social notável, que só não vê quem não quer ver. E o maior cego é aquele que não quer ver! Por não haver fins lucrativos, investiram num hospital para cooperar com o SNS no Pinhal Interior, melhorando a acessibilidade e a qualidade de vida das populações marginalizadas, preenchendo um duplo vazio: esquecimento do Estado e o abandono do capital, porque este só investe nas cidades.
Quem conhece Jaime Ramos, o líder da ADFP, bem sabe que primeiro cria os problemas, ultrapassa a burocracia, que depois passo a passo vai resolvendo, ao estilo de Bissaya Barreto, mas este sempre teve o padrinho Salazar a acompanhar, enquanto o Jaime Ramos tem de saltar ou arredar os pedregulhos que lhe vão sendo colocados na caminhada.
A notável obra social da ADFP é neste tempo comparável a um outro tempo, também a notável obra de Bissaya Barreto. Jaime Ramos tem o seu próprio estilo, mas no Conselho Estratégico da ADFP, a seu convite, por lá já passaram Fausto Correia, António Arnaut e Barbosa de Melo, só recordo os que partiram desta vida com o risco de ter esquecido alguns. Uma obra sem fronteiras políticas. Tenho a certeza que, se Fausto Correia fosse vivo, faria da abertura do hospital uma das suas grandes bandeiras.
Bem sei que os dinheiros do SNS têm de ser bem geridos. Mas, tanto quanto conheço do setor, os serviços são pagos por atos médicos e, se assim for, os residentes da zona do Pinhal Interior, se recorrerem ao Hospital Compaixão, em vez de serem tratados num qualquer outro hospital particular da cidade de Coimbra, o SNS não paga mais. Por outras palavras, paga o mesmo, mas com a diferença, que o cidadão poupa nas despesas de deslocação. E se do ato ou do somatório dos atos resultarem lucros, estes, no Hospital Compaixão, não são exportados para o estrangeiro, nem distribuídos como dividendos, são aplicados em obra social ao serviço da comunidade.
O Hospital Compaixão está dotado de todas as infraestruturas e equipamentos para ser no Pinhal Interior um Hospital de referência, foram investidos valores da ordem dos dez milhões de euros, fundos de uma IPSS ao serviço da comunidade.
Senhora ministra, apesar do seu intenso trabalho, acrescido com o Covid19, debruce-se sobre este problema porque é urgente resolvê-lo, para bem das populações de toda uma zona territorial designada por Pinhal Interior.
Ainda pertenço a uma geração política combativa, que talvez mais sinta as ideias, mas que também as tem vivido, mais preocupado com a sociedade do que com os bens materiais. Uma geração que recusa transigir com valores que não sejam os seus, que esteve sempre presente de bandeira erguida para se bater pela sua dama, quando o pode fazer, ainda que desajeitadamente.

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