Opinião – Confiança!

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Quase dois meses na incerteza se o nosso sistema nacional de saúde aguentaria, entramos na fase seguinte onde a responsabilidade e boa conduta social individual são essenciais para mitigar riscos de saúde pública. Quase dois meses depois, também temos a economia em farrapos, com muitos milhares de empresas quase obrigadas ou mesmo obrigadas a parar, com as respetivas consequências na vida de milhões de pessoas. Confiança, a seguir a responsabilidade, é a palavra chave para recuperarmos , o mais rapidamente possível.

Esta semana, numa das reuniões de gestão da empresa, um dos coordenadores de departamento perguntava quais eram as expetativas. Em rigor ninguém sabe prever porque, incluindo Autoridades, estamos a apalpar terreno e a gerir ao dia. Todos, porque não há sequer conhecimento científico ou económico para servir de base ao que quer que seja. É a minha opinião. Não gosto nem de frases feitas, nem de pensamentos redondos, mas isso é o que todos mais ouvimos nas redes sociais, nas televisões, sejam veiculados por anónimos ou mais famosos. Talvez eu ande com pouca paciência. Mas, é preciso olhar em frente. É preciso que o medo não ganhe. É preciso agir responsavelmente.

Hoje, sabemos melhor qual é o limite do Sistema de Saúde e também sabemos que o tempo em que não havia máscaras nem para os profissionais da “linha da frente” ou que havia pouco mais de 1000 ventiladores em Portugal, passou. Sabemos também que o vírus só será erradicado com uma vacina que somente existirá dentro de muitos meses e sabemos que há milhares de postos de trabalho que dependem da nossa atitude, da nossa responsabilidade e da nossa confiança.

Sabemos que há muitos milhares de lojas, restaurantes, pequenos estabelecimentos, atividades comerciais e industriais que dependem de si, de mim, de nós, para se manterem abertos. Sabemos que disso dependem muitos milhares de famílias. Sabemos que será do lado das empresas privadas que, mais uma vez, virá esse risco, porque apesar dos possíveis apoios do Estado, estão entregues à sua capacidade de trabalho, à sua capacidade de se reinventarem, sem nenhuma qualquer sombra de comodismo. Desde logo porque não somos a Alemanha, onde todas as PME receberam a fundo perdido, cerca de 800.000€ para suporte à crise. Nunca a economia ou a sua recuperação esteve tanto nas nossas próprias mãos. Ou na nossa própria esfera de decisão. Na decisão de ir ou não ir à loja, ir ou não ir ao restaurante quando estes puderem abrir, na opção de ir buscar a refeição, na decisão de comprar uma peça de roupa, de dar um passeio à praia e meter uns litros de combustível no carro ou de comprar mais um livro para desentorpecer a mente. E fazê-lo na nossa cidade, na região e no nosso Portugal. Porque estamos entregues a nós próprios. Porque não haverá milhões de turistas nos próximos 12 meses.

Nunca tivemos tanto poder de evitar o agravamento de uma crise que, desculpem-me os mais puristas, pode ainda ser pior do que a crise pandémica da COVID. A economia depende de nós. Ou melhor, os postos de trabalho de dezenas de milhares de pessoas dependem de si e de muitos de nós. Isabel Jonet , Presidente do Banco Alimentar, dizia, esta semana, num apelo dramático que as empresas em vez de darem donativos, deveriam esforçar-se por manter postos de trabalho. Tem razão, mas se não houver trabalho, as empresas fecham ou reduzem estruturas. Por estas razões, é preciso que a confiança ganhe ao medo. Com responsabilidade. Se fizermos isso e se a União Europeia a que pertencemos permitir um bom programa de apoio a investimentos produtivos, pode ser que nos safemos. Se a isso , ainda conseguirmos juntar um Estado mais eficiente , mais rápido , menos comodista, então, sairemos mais fortes. Talvez mais preparados porque há muitas dimensões da sociedade que melhorarão. Num país em que parece que o Estado é magnânime , talvez este também seja o tempo de cada um perceber a sua real importância. Com atitude. Sem medo. Com responsabilidade, mas percebendo que há muita gente que depende de si! Boa semana!

 

Paulo Júlio escreve ao sábado, quinzenalmente

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