Opinião – Apontamentos virais III

Posted by

1 – Aquando da evocação do 25 de Abril não seria necessário “estudar em Coimbra” para adivinhar o que se passaria no 1º de Maio. Deixei-o nas entrelinhas.
Agora que passou esta data, segue a novela com a Festa do Avante…
Repito que sou dos que valoriza os momentos simbólicos da democracia e de outros aspectos da nossa vida. É essa razão porque sempre me fez confusão a extrema-esquerda (e não apenas em Portugal) sentir necessidade de se apresentar, por exemplo, de forma, no mínimo, desconchavada (falo da indumentária) para afirmar a sua diferença (valia a pena investir mais em ideias aproveitáveis), e a rapaziada que vai ao Teatro Nacional de São Carlos de calças de ganga e sapatilhas.
Bem sei que os tempos, os costumes e a língua mudam, mas creio que há simbolismos referenciais que deveriam manter-se. Por isso, não é o valor intrínseco do 25 de Abril (a que acrescentaria o 25 de Novembro) e do 1.º de Maio que equaciono. O que sempre questionei foi a oportunidade de juntar pessoas que deveriam dar o exemplo de distanciamento (vejam a visão benigna que ainda tenho dos parlamentares…) e de realizar comícios quando, como bem demonstrou a UGT, haveria muitas outras formas de comemorar um dia indubitavelmente importante. A respeito da CGTP volto a nem usar a questão legal (parece que os dirigentes sindicais podiam cruzar fronteiras concelhias); repudio, isso sim, a eterna sensação de impunidade do PCP (algo que percorre os partidos comunistas ao longo da História e da geografia).
E depois a questão ontológica: o que é que houve de tão relevante na Alameda que não pudesse ser feito pela via das novas tecnologias? Demonstrar aos “da casa” que “assim se vê a força do PC”?! Fraco argumento.
Demonstrando “a contrario”: diga-me três frases do discurso de Isabel Camarinha. Estou a pedir demasiado?… Muito bem, diga-me um pensamento elaborado da discursata… Nota: não vale a pena rever discursos de anos anteriores, apesar de sabermos que a cassete é a mesma. Começa a faltar pão, mas houve circo…
Veremos o que nos trará o 13 de Maio (escrevo um dia antes). Comecei por regozijar-me com a sabedoria da Igreja, mas hoje escutei já algo que fixa os números de convidados em números similares aos do Parlamento, no 25 de Abril. Assim sendo, ficam os elogios congelados à espera de São Tomé… Ver para crer…
2 – Condoeram-se as almas socialistas com a alegada dureza da entrevista de Rodrigo Guedes de Carvalho à Ministra da Saúde, Marta Temido, na SIC.
Confesso que não vi senão um momento daqueles em que os políticos podem brilhar; uma entrevista acutilante e de contexto.
Fraca memória o não relembrarem, concomitantemente, que o Prof. Cavaco Silva, enquanto Primeiro-Ministro, tinha de “aturar” um jornal que practicamente vivia de ataques ao Governo e ao PSD (“O Independente”, de que era leitor assíduo, confesso). E que tal recordar algumas entrevistas a Passos Coelho e aos seus Ministros?
Em boa verdade, os lamentos que ouvi não foram da Ministra, nem do Governo, mas a respectiva base de apoio talvez tenha acusado falta de hábito.

Leave a Reply

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

*

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.