Opinião: A rapidez do tempo!

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Já aqui escrevi sobre confiança. Hoje, escrevo sobre velocidade e rapidez. O desenvolvimento da economia, dos territórios e das cidades , será atingido com competências , mas será, sobretudo, daqueles que acrescentam rapidez aos processos. O regresso à “nova normalidade” vai sendo feito, mas entretanto, os inscritos no IEFP já são quase 400.000 e a procissão ainda não saiu do adro.
Percebemos , nos últimos dias, que a União Europeia ou , melhor, o eixo franco-alemão está a iniciar um entendimento que pode ser histórico no que concerne a mutualização de divida. Ouvimos falar de 500 mil milhões de Euros, ainda sem ninguém saber nenhuma das condições de acesso a esta tipologia de empréstimo, nem o que calha a cada Estado-membro. Ainda assim é uma boa notícia para os países do Sul que viram imediatamente as taxas de juro baixarem, variável essencial para que , apesar de todos os problemas que vamos viver, não tenhamos mais esse fardo a condicionar todas as políticas e a economia. No entretanto, o que as empresas pretendem é que além de pacotes básicos de apoio, o Estado e as Autarquias não sejam entropia e assumam o seu papel de catalisador de desenvolvimento, dando o exemplo, numa altura em que as empresas que queiram sobreviver ou desenvolver-se têm mesmo de reformar processos, digitalizar tarefas, reestruturar equipas, criar novas linhas de produtos, ou não ficarão cá para contar a história. Estes momentos que vivemos exigem, de todos os responsáveis, ação e rapidez.
Cada semana que passa , nestas alturas de crise, significa mais uns milhares de pessoas sem trabalho, mais ansiedade social, menos empresas , gerando um ciclo vicioso que , independentemente de taxas de juros baixas, vai acabar por contaminar tudo, gerando mais despesas sociais, menos recolha de impostos e mais divida ainda para o Estado, ou seja, para todos nós. Acredito que a União Europeia e os Governos de cada Estado, encontrem as ferramentas e façam as formulações em macro, mas a forma de as fazer chegar rapidamente à prática, depende da celeridade de toda a Estrutura do Estado, desde os que analisam um projeto, aos que avaliam uma candidatura, passando pelos que auditam e dão ordens de pagamento , até aos que , junto dos cidadãos e das empresas, interpretam localmente as necessidades e promovem soluções concretas para desmultiplicar em ação, a dita formulação governamental.
Normalmente, Portugal falha na rapidez porque se deixa enredar na burocracia e na lassidão , deixando exasperados os que querem investir. Parece que a uns não lhes falta o tempo, quando os outros sabem que não têm mais tempo. O tempo ou a rapidez de conseguir fazer coisas concretas vão ser essenciais. Vai ser nestes detalhes que se jogará o futuro de muitos portugueses.
Se a teoria não tiver efeitos práticos, o dinheiro não resolverá a maior parte dos problemas que vamos viver. Esta também é uma oportunidade para melhorar o Estado. Ouço falar muito de transformação nas empresas, mas do lado do Estado e das Autarquias, ainda não percebi bem se também vão aproveitar, este momento particular , para se reinventarem e para melhorarem a sua forma de interagir com a sociedade, leia-se com os cidadãos, com as empresas e demais organizações privadas.

One Comment

  1. Parece-me muito pouco provável, porque manter o “status quo” e a zona de conforto é mais fácil, e mantém clientelas eleitorais…

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