Existem entre 30 a 40 pessoas a dormir nas ruas de Coimbra

Marco Ribeiro Henriques, coordenador
do CASA-Coimbra

No início da crise pandémica, os sem-abrigo de Coimbra começaram a ser encaminhados para instituições de acolhimento, através da Segurança Social, e monitorizados diariamente em relação à covid-19.
Atualmente, há cerca de 35 pessoas a viver na rua em Coimbra, estima Jorge Alves, vereador da câmara com o pelouro da Ação Social e homem que conhece melhor do que ninguém a realidade dos sem-abrigo e das pessoas que vivem em situação de pobreza na cidade (Jorge Alves foi, durante 19 anos, presidente da Associação Integrar).
Em Coimbra, o Núcleo de Planeamento e Intervenção Sem-Abrigo (NPISA) mantém no terreno as suas equipas, reforçadas por mais uma, criada pela autarquia, particularmente empenhadas em sensibilizar as pessoas sem-abrigo para a doença causada pelo novo coronavírus (SARS-CoV-2) e meios de evitar o contágio.
O NPISA envolve 17 entidades, desde instituições particulares de solidariedade social a hospitais e outros serviços de saúde ou o Instituto do Emprego, abrangendo as mais diversas áreas.
No Pátio da Inquisição, o CMIS – Centro Municipal de Integração Social, cujas instalações são geridas pela CASA, articulando o uso do espaço com as restantes entidades, mantém-se em funcionamento sete dias por semana. Trata-se de um espaço de cariz “informal e de partilha que procura responder às necessidades de pessoas que apresentam um elevado nível de vulnerabilidade e carência económica”.
Contudo, quem recorre àquele espaço não é, na sua grande maioria sem-abrigo. Marco Ribeiro Henriques, coordenador do CASA-Coimbra, lembra que, à luz da estratégia nacional, sem-abrigo são pessoas que vivem numa situação que não seja condigna com aquilo que é uma habitação.
“Portanto, são pessoas que vivem em quartos não tenham serventia à cozinha, por exemplo. Pessoas que, por qualquer tipo de limitação – muitos deles até por força das dependências e das psicopatias – não tenham condições para cozinhar”, relembra.
De acordo com um levantamento feito no final do ano passado entre as várias instituições e a câmara, chegou-se à conclusão que a dormir na rua existem aproximadamente entre 30 a 40 pessoas. “Dormem em sítios diversos: desde barracas a fábricas. E, depois, temos cerca de 250 referenciadas que vêm aqui ao centro com regularidade”, adiantou o coordenador do centro.

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