Opinião: Ovo da Serpente ( 4 ) It’s only business

Posted by

A discussão acerca do rendimento básico incondicional estava morna. Era teórica, longínqua. Como? Assegurar uma pensão vitalícia só pelo facto de nascermos: uma quantia que permita a um cidadão, a todos, sem outros parâmetros de avaliação, viver decentemente. Parecia algo a ser testado ou inventado por sociólogos e economistas de laboratórios sociais para resolver problemas da Nigéria ou do México ou do Paquistão…
Mas não, de um momento para o outro, o RBI (Rendimento Básico Incondicional) aí está, experimentalmente, mas está. Na América, Trump manda entregar um cheque de 1000 dólares a cada americano. Nós por cá, na Europa, com diferentes percentagens (obviamente os franceses vão sempre à frente), asseguramos parte substancial do rendimento às famílias.
O layoff e todos estes necessários apoios sociais o que são se não um Rendimento Básico Incondicional? E existem para preservar obviamente as famílias, os rendimentos do trabalho, mas também para preservar o tecido económico e o sistema tal como está.
Surgem ou podem surgir algumas questões. Por exemplo, é equitativo, justo, defensável que o apoio no layoff seja idêntico no pequeno restaurante, no quiosque, na pequena ou média empresa ao apoio a uma multinacional (têm nomes que todos nos lembramos), a uma empresa oligopolista que tenha apresentado nos últimos anos milhões e milhões de lucro com uma infinidade de zeros? Não será justo e fará serem sempre os mesmos a pagar. Os contribuintes. Os que pagam impostos. Os remediados.
Quando assistimos à postura aparentemente solidária de CEO’s nacionais de grandes empresas (alguns arguidos em escândalos que arrasaram a nossa economia para os próximos anos) estão a dar o quê? Parte miserável dos lucros que conquistaram sem qualquer esforço? O chouriço do porco com que ficaram?
Pode ser, por outro lado, a altura em que se recupere a discussão dos limites dos salários dos gestores mesmo nas empresas privadas. Não é admissível que um gestor possa ganhar 20, 30, 40, 50 salários mínimos enquanto a generalidade dos seus trabalhadores ganha 1 salário mínimo. Não é proporcional nem é defensável. É necessário um equilíbrio.
Esta é uma discussão adiada de 2018 que é preciso retomar.
Ainda nestes aspectos económicos Rui Rio tem razão quando afirma que “se a Banca apresentar lucros avultado em 2020 e em 2021 isso será uma vergonha e ingratidão para os portugueses”. A Banca e uma série de outras actividades que se podem aproveitar desta infelicidade que nos trespassa. Sejam as farmacêuticas, sejam os fabricantes de equipamentos, seja a saúde provada (atente-se nas recentes notícias dos Hospitais Privados a apresentar a conta sem que o almoço tenha acabado!).
Já basta ouvir anúncios da grande distribuição -que há mais de uma vintena de anos afundaram toda a produção nacional e toda a rede de comércio tradicional e que agora, às costas dessa mesma produção nacional, se aproveitam do sentimento solidário para mais vendas. Se vendem o borrego aquele preço por quanto o terão comprado? E mesmo assim dá para lucro na Holanda? Mau…
It’s only business.

3 Comments

  1. A discussão acerca do rendimento básico incondicional estaria morna, era teórica, longínqua, talvez para a maioria dos texugos bípedes, também conhecidos comumente pela designação vernácula texugo-do-papel (não confundir com o texugo-do-mel) que povoam o Mundo Global. Os texugos-do-papel sempre foram a minoria, mas inversamente ao seu número, os que mais padecem da alarvia e aleivosia.
    A discussão acerca do Rendimento Básico Incondicional (RBI) é discussão que ocupa muito boas cabecinhas faz muito tempo, como por exemplo as que se ocuparam em escrever Rendimento Básico Incondicional: Uma defesa da liberdade, que encontra em qualquer livraria idónea – Roberto Merrill, Sara Bizarro, Gonçalo Marcelo, Jorge Pinto. Há certo tipo de reflexão, que é cobra que mordendo, só lhe pode inocular sageza, e espelho que reflectindo-o, só lhe pode devolver a consciência. Caso contrário, envenena-o a mordedura, e causa-lhe repulsão a reflexão.

  2. A discussão acerca do rendimento básico incondicional estaria morna, era teórica, longínqua, talvez para a maioria dos texugos bípedes, também conhecidos comumente pela designação vernácula texugo-do-papel (não confundir com o texugo-do-mel) que povoam o Mundo Global. Os texugos-do-papel sempre foram a minoria, mas inversamente ao seu número, os que mais padecem da alarvia e aleivosia.
    A discussão acerca do Rendimento Básico Incondicional (RBI) é discussão que ocupa muito boas cabecinhas faz muito tempo, como por exemplo as que se ocuparam em escrever Rendimento Básico Incondicional: Uma defesa da liberdade, que encontra em qualquer livraria idónea – Roberto Merrill, Sara Bizarro, Gonçalo Marcelo, Jorge Pinto. Há certo tipo de reflexão, que é cobra que mordendo, só lhe pode inocular sageza, e espelho que reflectindo, só lhe pode devolver a consciência. Caso contrário, envenena-o a mordedura, e causa-lhe repulsa a reflexão.

  3. Perdão. Comummente. E não comumente. Embora seja esta a grafia no Brasil. Mas não sou brasileira e não costumo respeitar as alterações introduzidas pelo Acordo Ortográfico de 1990.
    Também calha que o advérbio se manteve como dantes.
    Perdãozinho e ignoscência.

Leave a Reply

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

*

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.