Opinião – CHBV e Pediatria, Avaliação de decisões

Posted by

A propósito do encerramento da Urgência Pediátrica do Centro Hospitalar do Baixo Vouga há que reflectir sobre as decisões e os comandos da logística nacional. Portugal combate um surto epidémico, mais ou menos grave, como só adiante o tempo ditará e que obriga à utilização dos recursos disponíveis e das pessoas que temos. Não podemos colocar ao serviço aqueles que não considerámos adequados no passado, para suprir as faltas na crise. A avaliação de decisões pretéritas e a legislação sobre direitos tem de ser feita nestes contextos de crise. Vejamos este “case study” que será Aveiro e esta Urgência. Durante décadas o Hospital Infante D. Pedro recusou, e muitos pediatras se insurgiram com eles, contra a avaliação de crianças por outros especialistas, até mesmo tendo ostracizado unidades de trabalho que insistiam em ver crianças. Vieram leis violentas e impeditivas a que, por exemplo eu, operasse uma hérnia de um jovem de quinze anos. Mas agora se fecharmos a urgência e transferirem o menino covid, com hérnia complicada, operarei na minha unidade. As decisões deste tipo foram muitas e conduziram à finíssima decisão de colocar em pediatria pessoas até 18 anos, o que significa em excepção, felizmente, mas na realidade, ter prostitutas, ladrões e assassinos em ambiente pediátrico. Significa que alguns transitam da operação para o recobro no hospital militar onde deviam estar a fazer a recruta. Outros vão ao Pediátrico e depois seguem para a cadeia. Estas escolhas criaram ambientes pediátricos para um número extenso de jovens na tentativa de justificar a criação de monstros como o Hospital Pediátrico de Coimbra que persiste parcialmente ocupado, com milhares de euros empacotados, com alas sub-aproveitadas e com uma evidente falta de recursos humanos por afunilamento de competências.
Porque fechou a urgência do Centro Hospitalar do Baixo Vouga? Porque as decisões da logística são uma cadência de erros em que a avaliação das consequências não existe e as emoções mandam mais que a razão. Como se pode fechar uma unidade que definimos como prioritária, necessária e moderna e uma estrutura tida por essencial no tratamento de crianças? 1- Porque todos os positivos para covid 19 (mesmo que assintomáticos) são retirados do terreno. 2- Porque os recursos disponíveis não são infinitos e ao longo dos anos foram sendo reduzidos e até excluídos, como por exemplo as pessoas que sendo pediatras na Venezuela, no Brasil, na Colômbia, na Ucrânia não conseguem nem a tiro de canhão exercer por cá a profissão. A regulamentação para credenciar profissionalmente é uma chacota e uma bagunça que deixa aos incompetentes das Universidades falidas a decisão de dar crédito a irmandades com outras universidades de duvidosa reputação, mas que transitam energúmenos para fazer mestrados viajantes e bem pagos. Assim vi cabeleireiras e manicures virarem médicos. Denunciei mais de três casos de falsos médicos e investi tempo na luta para corrigir isto. A Ordem dos médicos num exame oral entre pares sabe facilmente reconhecer quem é nosso, quem tem linguagem, codificação da profissão e quem não é. Mas pasmem, não é a Ordem quem lhe acredita os títulos! Legislação de incompetentes e abencerragens. A Laura Sincari pela qualidade, pelo exemplo e empenhamento, tal como seu marido, são exemplos deste calvário para ser o que se é.
– Obrigado Laura por não desistires!
Porque fecha a Urgência Pediátrica do Baixa do Vouga? Porque cumprindo ordens com rigor ficaram com a maioria do pessoal confinado. Já não é necessário ser pediatra para ver meninos! Já não é uma eloquência a formação em pediatria. Sejamos claros, porque quem gere não cuidou dos recursos? Porque quem gere não cuidou das melhores práticas? Porque quem manda material o mandou inadequado? Isto é como uma guerra onde os tanques se retiraram porque os condutores têm febre, onde a aviação parou porque não há fuel, e onde a marinha ficou no alto mar com medo da guerra. Que merda é esta? Como pode fechar um recurso que há décadas se exige que seja aberto e seja específico, onde o Estado investiu milhões de euros, onde alguns receberam durante décadas milhares de euros de horas extraordinárias. A vida é dar e receber e nestas horas de mágoa e de crise é que surgem as lideranças. Onde está essa ARS? Fechados em casa? Choram de medo, escondidos atrás dos biombos? Como não se demite de imediato quem fecha recursos sem garantir respostas ao mesmo nível da exigência prévia?
Isto é um assunto vasto de profundas ligações ao pior que há neste país onde uns nasceram para se servir, outros nasceram para subir, outros vinham geneticamente estruturados para mandar, uma percentagem enorme contenta-se em destilar o fel da inveja e a rolha e a esferovite que flutuam lidera.

Leave a Reply

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

*

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.