O que fica das comemorações de Abril em Coimbra

A cerimónia comemorativa do 25 de Abril, que habitualmente enche o salão nobre dos Paços do Concelho, foi, este ano, feita através das redes sociais. Uma celebração diferente da que costuma acontecer no município que, apesar do confinamento, não deixou de assinalar a data.

Nas suas plataformas digitais, a autarquia divulgou mensagens de Manuel Machado, presidente da Câmara de Coimbra, bem como dos líderes de cada bancada na Assembleia Municipal: Ferreira da Silva (PS), Nuno Freitas (PSD), Manuel Rocha (PCP), Filomena Girão (Somos Coimbra), Lúcia Santos (CDS-PP), Graça Simões (Cidadãos Por Coimbra), e de Luís Marinho, presidente da Assembleia Municipal.

“O dia que assinalamos hoje demorou muito a chegar, mas, quando chegou, mostrou o modo como o povo português soube construir, entre momentos bons e períodos difíceis, a sua autodeterminação, a sua democracia, e a sua capacidade de construir para as novas gerações um futuro com mais e melhores oportunidades”, afirmou Manuel Machado, lembrando “o período difícil” que vivemos e as “cortinas de ferro” que o coronavírus ergueu “no trabalho, nas escolas, nos transportes e nas ruas”.

O autarca aproveitou a ocasião para elogiar a atitude dos portugueses, tanto dos “que se mantiveram em casa como os que continuaram a trabalhar”, dos quais destacou os trabalhadores da Câmara e das empresas municipais e os profissionais de saúde da cidade.

“A Câmara de Coimbra continuará na primeira linha do apoio e do incentivo a todos os empreendedores e investirá ela própria na transição digital em que toda a sociedade está envolvida”, concluiu.

Na sua intervenção, o socialista Ferreira da Silva declarou que “hoje não aceitamos reduzir Abril à liberdade do nosso silêncio”, assinalando que “a ação e a proteção têm sido apanágio da câmara ainda antes da OMS qualificar a emergência do Covid-19 como uma pandemia”, enquanto o social democrata Nuno Freitas, único que iniciou as suas declarações de máscara, falou de “um 25 de Abril diferente, por via digital, com máscaras, em confinamento e num estado de emergência social”, destacando que, “num tempo das maiores dúvidas e incertezas”, são necessárias “boas práticas na área da saúde”.

No seu “tempo de antena”, o comunista Manuel Rocha recordou que “no centro do combate aos efeitos do covid-19 encontramos uma das mais importantes conquistas da Revolução de Abril, o Serviço Nacional de Saúde”, salientando que “está hoje à vista de toda a gente a importância de dispormos de serviços públicos robustos”.

Por outro lado, Filomena Girão afirmou-se “mais do que nunca, feliz por ter crescido em liberdade, por viver numa democracia capaz de reagir a um dos mais difíceis desafios de que temos memória” e acrescentou que “os brutais acontecimentos das últimas semanas mostraram a nossa fragilidade, mas demonstraram também a importância da nossa união”.

Já Lúcia Santos começou por felicitar a Câmara Municipal de Coimbra pela iniciativa de “celebrar o 25 de Abril de forma não presencial”, entendendo que “colocar o bem-estar coletivo à frente de interesses corporativos e partidários é sem dúvida a melhor forma de fazer cumprir os valores de Abril, da democracia e da liberdade que nasceram no dia que hoje celebramos”.

“Neste tempo estranho, de sobressaltos e incertezas, queremos continuar a afirmar, a celebrar a Revolução dos Cravos, porque nestes 46 anos, apesar de tudo, foi possível construir um país mais justo e queremos garantir que este caminho não se interrompe”, frisou Graça Simões.

Finalmente, Luís Marinho enfatizou que a sala onde gravava a sua declaração “é a sala da nossa Assembleia, é a sala da cidade, é a sala da democracia, é a sala da liberdade, é a sala do falar alto, falar claro, é a sala da liberdade de opinião”.

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