Covid-19: Soure prepara mecanismo financeiro para apoiar comércio e serviços locais

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Mário Jorge Nunes, presidente da CM Soure

O município de Soure, distrito de Coimbra, está a preparar um mecanismo administrativo de apoio financeiro aos pequenos negócios locais de comércio e serviços, para compensar os efeitos da pandemia da covid-19, disse o presidente da autarquia.

Em declarações à agência Lusa, Mário Jorge Nunes explicou que a decisão de avançar para este tipo de apoio “a pequeninas e microempresas”, proprietárias de cabeleireiros, sapatarias ou cafés, entre outras atividades, foi já aprovada pelo executivo camarário e está agora em fase de fundamentação económica.

“Andamos [os municípios] a gastar milhões em regeneração urbana e agora as pessoas tiveram de fechar e manter as lojas fechadas, E há muita loja que se fechar por muito tempo já não abre”, justificou.

Na segunda-feira, o presidente da autarquia reuniu com diversos contabilistas do concelho “para avaliar o desgaste que os pequenos empresários estão a ter” e revelou que o mecanismo, ainda em estudo, poderá a vir a incluir a renda dos espaços comerciais, agora encerrados, e outras despesas que os destinatários da medida estão a suportar.

Embora antecipe que o mecanismo deverá ser posto em prática por candidatura dos interessados, terá um teto máximo de apoio e dirá respeito aos meses de março e abril, na vigência do estado de emergência, Mário Nunes explicou que o processo passará, de acordo com a lei, por um período de consulta pública de 30 dias “para recolha de contributos”, antes de ser presente à Câmara e Assembleia Municipais para aprovação final.

“Espero que em junho esteja aprovado”, enfatizou o autarca, recusando, para já, avançar com eventuais montantes de apoio, dado o estudo de fundamentação económica em curso.

Mário Nunes disse ainda que para fazer face às despesas crescentes de apoio, o município ainda não procedeu a uma revisão do seu orçamento, mas foi obrigado a desorçamentar outras áreas de atuação – como a cultura, eventos ou promoção turística – canalizando esses recursos financeiros para a “emergência social” atual.

Sobre a situação de infetados pelo novo coronavírus até ao momento, Mário Nunes indicou que Soure registava, até à manhã de quinta-feira, 22 casos de residentes no concelho, números que, avisou, “foram validados pela Administração Regional de Saúde e Proteção Civil distrital, mas podem ser divergentes dos da Direção-Geral da Saúde, por desfasamentos temporais”.

Dos 22 casos, metade dos quais profissionais de saúde, Soure registou um óbito e seis doentes curados, permanecendo ativos 15 casos, incluindo quatro de pacientes “internados em Coimbra” e outros oito “confinados às suas residências” no concelho.

Das oito pessoas que estão em casa, em Soure e que “todos os dias” falam com o delegado de saúde local e com funcionários do município, “apenas três têm sintomas”, revelou Mário Nunes.

O presidente da autarquia enfatizou, aliás, que o município está “muito grato” ao trabalho do delegado de saúde José Aníbal Barreiros, “um médico que está no final de mais de 40 anos de carreira e que tem sido inexcedível, sete dias por semana”.

A grande preocupação das autoridades, adiantou, centra-se nas instituições de solidariedade social e lares de idosos dispersos pelas 10 freguesias de Soure, que concentram cerca de mil utentes e 600 funcionários, sensivelmente a mesma população da sede de concelho, que não chega aos dois mil habitantes.

Paradoxalmente, aquilo que em tempos normais é um “constrangimento” para a atividade municipal (um concelho extenso, com cerca de 18.500 habitantes, a grande maioria dispersos por 150 aldeias e povoações), atualmente, face à pandemia de covid-19, “pode até ser uma vantagem”, assinala Mário Nunes.

“Se surgir um foco de infeção é mais fácil de controlar”, argumentou.

Entre diversas medidas que o município tem vindo a tomar, conta-se a instalação de um centro de apoio nas instalações de uma antiga escola, onde foram instaladas 60 camas hospitalares adquiridas pelo município.

Os quartos, antigas salas de aula, possuem aquecimento e capacidade para vários doentes: “É melhor do que estar num pavilhão e pode ser preciso, por exemplo, se tivermos de evacuar algum lar”, indicou o autarca.

Entretanto, até 16 de maio, o município irá proceder à realização de uma primeira fase de testes de rastreio (orçada em mais de 50 mil euros) e dirigida a profissionais das áreas da saúde e do apoio social, bombeiros, comerciantes e prestadores de serviços na comunidade, como barbeiros ou taxistas, entre outros.

O projeto, que contará com mais duas fases até ao início do próximo ano letivo, envolvendo funcionários da autarquia e a comunidade escolar, pretende, segundo Mário Nunes, que metade da população de Soure (cerca de nove mil pessoas) seja testada à covid-19 até ao próximo outono, com estes testes disponibilizados pelo município e outros do Serviço Nacional de Saúde.

“Vamos ter de encontrar mecanismos, na comunidade e nas escolas, para uma nova normalidade e as pessoas têm de ter essa consciência”, sublinhou.

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