Covid-19: Pescadores da Figueira da Foz protegem-se isolados em casa ou nas embarcações

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Os pescadores da Figueira da Foz têm continuado a sua atividade com limitações mas, quando em terra, protegem-se da covid-19, isolados em casa ou nas próprias embarcações de pesca, disse hoje fonte do setor.

Em declarações aos jornalistas, à margem da visita do ministro do Mar ao porto de pesca local, Igor Branco, presidente da associação FIGPESCA, explicou que os armadores têm promovido “uma grande prevenção” face à pandemia do novo coronavírus, com medidas que passam pelo isolamento dos pescadores: “temos tentado manter as tripulações juntas e fazer com que não contaminem as próprias familias em casa”, argumentou.

Quem é da terra, nomeadamente das localidades piscatórias, quando regressa da faina “vai para casa diariamente ter com a família” e cumpre aí as medidas de isolamento social, mas “os que são de fora, ficam no barco e dormem no barco”, exemplificou.

“A proteção [face ao novo coronavírus] não é ter máscaras, porque isso não se aplica a bordo. Fazer o isolamento com a família é ter duas famílias, a família em casa e a família a bordo”, enfatizou Igor Branco.

O dirigente associativo revelou, por outro lado, que existe um grupo grande de pescadores indonésios em funções nas embarcações localizadas na Figueira da Foz, no litoral do distrito de Coimbra, que residem em casas comuns.

“Tem-se evitado que vão à rua e quando vão às compras há um que faz as compras para todos”, referiu Igor Branco.

No total, a situação abrange 40 embarcações e cerca de 280 pescadores.

“Não há casos [de covid-19] entre as tripulacões, esta versão das duas famílias, a de bordo em que ninguém sai do barco, e o isolamento em casa tem sido o principal elemento de proteção”, reafirmou, destacando ainda a ação da Docapesca, a entidade responsável pelas lotas e portos de pesca nacionais, “que tem sido incansável nas medidas de proteção”.

Sobre a reunião com o ministro Ricardo Serrão Santos, o presidente da FiGPESCA disse que foram abordados apoios para o setor das pescas face à pandemia de covid-19 – nomeadamente as portarias que estão a ser preparadas pelo Governo nesse sentido – e lembrou que, além da redução da atividade face à atual situação de emergência, os pescadores da Figueira da Foz têm visto a sua atividade limitada pelo mau tempo e pelo fecho da barra.

“Temos tido aqui um esforço que tem coincidido com os dias em que o mar estava bom para largar [as redes], desde setembro para cá temos 170 dias sem ir ao mar [em pouco mais de possíveis 200 dias]”, alegou.

Sobre o preço do pescado em lota, Igor Branco frisou que tem havido “picos de altos e baixos” e um decréscimo da procura.

“O fecho da pesca ao fim de semana, obriga o mercado a ressalvar-se, há menos pescado, estamos a trabalhar como o petróleo, parar a produção para tentar manter os preços”, explicou.

Já António Lé, da cooperativa Centro Litoral, afirmou que a reunião com o ministro do Mar “não foi de reivindicação” do setor: “o sentimento é de união, hoje, perante a pandemia, o setor da pesca está mais unido que nunca, apesar das dificuldades no escoamento do produto e na baixa de preços. Para que isto retome a normalidade é preciso espírito de sacrifício e colaboração”, defendeu.

O dirigente enalteceu o “trabalho muito positivo” do ministro de Mar “com resultados muito bons, no sentido de dar saúde às empresas que exercem a atividade da pesca em Portugal e muscular o setor”, considerando que Ricardo Serrão Santos trouxe “pacificação” ao setor das pescas em Portugal.

“O resultado final é muito agradável e o setor vai reiniciar a atividade com grande vitalidade. Ganhar músculo é recatarmo-nos neste momento, benificiando dos apoios que poderemos ter em termos de paragem, para que passe a vaga de contágio [do coronavírus] e para que possamos retomar a atividade o mais depresa possível, com aquilo que é a essencia e a identidade forte do país que é a sardinha”, frisou António Lé.

Sobre o impacto que as pescas poderão ter pelo cancelamento das festas populares, António Lé minimizou-o: “Acabou-se a concentração [de pessoas] e a festa conjunta. Mas não se vão deixar de fazer, com todas as limitações, as festas particulares. Eu acredito, contrariamente ao que dizem os profetas da desgraça, que pode ser um ano feliz para a economia”, declarou.

Questionado pela Lusa sobre se se revê na definição de “pacificador” das pescas, o ministro do Mar disse gostar de governar “por proximidade e de dar atenção às vozes do setor”.

“E tenho um setor que, de facto, é bem formado, cooperativo, percebe que temos de ter uma pesca sustentável uma pesca com futuro, gosto de conversar e pedir as suas opiniões. A gestão das pescas, a governação, nao se faz só com a ciência, faz-se também com o setor que tem interesse nesta atividade”, argumentou o ministro.

As questões “não têm ver só com a gestão dos ‘stocks’, têm a ver com a sustentabilidade e rendimento das nossas comunidades”, concluiu.

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