Covid-19 deixou Margarida e David em dificuldades para sair de Bali

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Tinham tudo para serem umas férias de sonho em cenários únicos da Ásia. No início de 2020, Margarida Ferreira, natural de Coimbra, e David Campos, residente em Almada, programaram uma viagem por três países asiáticos: Tailândia, Indonésia e Índia. A partida de Lisboa aconteceu a 3 de março.
Se a passagem pela Tailândia decorreu sem grandes problemas, na Indonésia tudo mudou, para pior. Os dois foram apanhados no meio do caos provocado pela pandemia de Covid-19 e, em Bali, viveram dias turbulentos. A ida à Índia já não aconteceu e para regressarem a Portugal passaram por vários momentos que poucas saudades deixam na memória.

A saída de Portugal
Margarida, tatuadora em Coimbra, contou ao DIÁRIO AS BEIRAS, o início da aventura que tinha como ponto de partida dois países do sudoeste asiático: Tailândia e Indonésia. “Programei, no início do ano, umas férias com o meu namorado por alguns países da Ásia. Tailândia, Indonésia e Índia, por esta ordem. Na altura em que saímos do país, os conselhos da OMS e da DGS em nada diziam para desmarcarmos as viagens, apenas avisavam para termos cuidado”, recordou.
A 3 de março o casal partia de Lisboa rumo a Banguecoque, na Tailândia. A estadia em território tailandês decorreu dentro da normalidade e, a 11 de março, Margarida e David chegavam à Indonésia, onde o cenário começou a ficar pior. “A partir do momento em que chegámos à Indonésia, as coisas começaram a complicar. Os vistos para entrada na Índia foram suspensos e o nosso voo de regresso a Portugal seria depois cancelado”, lamentou.

Ajuda do consulado
O segundo voo de regresso a Portugal, marcado para 23 de março, foi também cancelado. Após este momento, Margarida e David, optaram por recorrer à ajuda do Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE), que, para além da Embaixada na Indonésia, em Jacarta, tem um consulado em Bali.
“Um dia antes da nova viagem de regresso, foi-nos informado que o voo teria sido cancelado. Desta vez, não tínhamos dinheiro para comprar bilhetes novos, uma vez que as companhias aéreas aumentaram muito os preços e a maioria dos voos estava a ser cancelado. Procurámos contactos da Embaixada de Portugal na Indonésia e descobrimos, no site do MNE, um consulado em Bali”, revelou.
Em seguida começou o contacto com o cônsul português em Bali, Emanuel Joaquim. “Disse-nos que, em relação à falta de dinheiro para os bilhetes, nada poderiam fazer. Colocou-nos num grupo que criou do WhatsApp, “Bali repatriados”, onde nos apresentou a um grupo de portugueses na mesma situação que nós”, contou.
“Acabámos por nos aperceber que esse grupo era, afinal, constituído por todos os portugueses que estavam em Bali, quisessem ou não voltar para Portugal, fossem viajantes ou residentes lá”, assumiu a jovem de 26 anos.

Família crucial
A ajuda do consulado “foi sempre escassa”, considera a jovem, e foi a família do casal a dar o apoio para a saída de Bali. “O cônsul disse que não havia repatriação pensada ou falada, que não sabia o que andávamos a ouvir ou o que achávamos andar a ouvir, mas que não havia repatriação alguma para nós”, afirmou Margarida. A resposta do cônsul era contrária às informações prestadas pelo MNE. “Entre 22 e 26 de março estivemos “à espera” da embaixada e do MNE. Segundo o consulado não havia ajuda, segundo o MNE havia. Ficámos retidos. O cônsul desmentia a ajuda que nos era garantida pelo MNE. No nosso caso a embaixada não ajudou grande coisa, foi a família que reuniu o dinheiro para voltarmos”, frisou.
O regresso a Lisboa aconteceu a 28 de março. “Eu e o meu namorado, porque a família se juntou, conseguimos dinheiro para regressar. Acabámos por ir para o aeroporto de Bali e comprar um bilhete para Jacarta, onde haveria mais hipóteses de sair. Enquanto esperávamos, optámos por comprar um bilhete Jakarta-Tóquio-Londres-Lisboa”, contou.
O terceiro voo teve um custo, para cada um, de 1200 euros. Os voos de toda a viagem tinham o valor total de 900 euros por pessoa. As companhias aéreas informaram-nos que os reembolsos só vão ser feitos daqui a seis meses e, em voos e alojamento, o casal estima ter despendido cerca de 900 euros a mais. Os dois optaram por ficar em Almada onde cumprem quarentena voluntária.

Pode ler a notícia na edição impressa e digital do Diário As Beiras

One Comment

  1. Treta de notícia, para irresponsáveis a exegirem apoio do estado, ou seja de todos nós. É pá vão-se catar, no início de março já era certo este desfecho!

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