Opinião – O Estado da Educação (II)

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Ariana Cosme foi a segunda oradora neste colóquio sobre o estado da educação em Portugal. Referiu essencialmente a necessidade de continuar a diminuir as taxas de retenção, apesar de em 2018 já terem registado os valores mais baixos da última década. Defensora da retenção zero, afirmou que os filhos dos pobres são os alunos que são retidos no mesmo ano de escolaridade, sem nenhuma vantagem nem para o sistema nem para eles próprios. Na sua opinião, o aluno que chumba não irá aprender mais por repetir o mesmo ano.
Adelina Precatado, ex-diretora do conceituado Liceu Camões, em Lisboa, na zona central da cidade, na zona da Praça Saldanha, foi a terceira oradora. Recentemente aposentada, com uma experiência de 40 anos no Liceu Camões, foi muito crítica da existência das provas de aferição, das provas nacionais de matemática e português no 9º ano e dos exames nacionais no 11º e no 12º ano. “Um aluno que obtenha média de 10 nas disciplinas bienais ou trienais e que depois seja classificado com um 8 nos exames nacionais, irá reprovar. Deste modo uma prova de duas horas é mais importante do que o trabalho desenvolvido na escola ao longo de dois ou de três anos?”
Nesta lógica, a ex-diretora questionou ainda: “O exame é a meta do ensino secundário? O secundário serve para quê? Para formar os alunos nas suas mais diversas vertentes ou unicamente para os preparar para os exames nacionais?” Na sua opinião, “as provas de aferição, os exames e os rankings transportam um odor de exclusão social”.
Adelina Precatado propôs que as Provas de Aferição se realizassem apenas por amostragem, propôs o fim dos exames no 9º ano e questionou se os exames no final do ensino secundário serão mesmo necessários.
Na sua opinião, as atuais normas de acesso ao ensino superior condicionam fortemente todo o ensino secundário, tornando-o refém desta situação e impedindo-o de cumprir integralmente a sua missão. Durante estes três anos, o sistema, os alunos e as famílias acabam por estar mais preocupados com os resultados, os rankings e as avaliações externas do que com o Plano de Leitura, o Plano do Cinema ou o Plano das Artes.
A ex-diretora do Liceu Camões acrescentou ainda que é necessário promover um debate nacional sobre a alteração das regras de acesso ao ensino superior. Só interessam as médias do ensino secundário? E o currículo dos alunos? E a participação cívica? E a cultura geral? E o perfil de cada aluno? E uma entrevista? E serem as universidades a decidirem como querem selecionar os seus alunos?
Maria João Valente Rosa foi a última oradora neste Colóquio sobre “O Estado da Educação”, começando por afirmar que, neste momento, em Portugal, há uma baixa mobilidade social, pelo que o sistema educativo não parece estar a cumprir a sua missão de “elevador social”.
A oradora manifestou a sua preocupação pelo facto de até 2030, cerca de 57% dos atuais professores passarem à situação de aposentados, abandonando as escolas. Nestas circunstâncias e face às dificuldades e desafios acrescidos, seria necessário que o sistema educativo conseguisse atrair os melhores alunos para virem a exercer a profissão de professor, o que, apesar de louvável, não deixa de ser consideravelmente hilariante.
A conceituada professora da Universidade Nova de Lisboa reconheceu que cada vez há menos interessados em seguir a carreira de professor e que esta não está a conseguir atrair os melhores, o que, face aos desafios contemporâneos, só nos pode deixar terrivelmente preocupados, em relação ao futuro do país. Já temos bons (maus) exemplos do que se passa noutros países.
A Educação, apesar de desvalorizada, é um assunto infinitamente importante e primordial para o desenvolvimento de qualquer sociedade. Devemos continuar a minimizar as desigualdades sociais à partida, melhorando a resiliência de todos e procurando soluções de futuro.

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