Opinião – Coronabonds, ou eurobonds, nunca serão suficientes, mas…

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No turbilhão de notícias que surgem incessantemente, há temas que, sendo vitais para haver desenvolvimento, não se resolvem por interesses contraditórios. Como tem ocorrido na União Europeia (UE), onde há décadas se debate uma possível emissão de títulos de dívida pública europeia (eurobonds), que preservem as economias dos Estados-membros mais frágeis de ataques especulativos que explorem assimetrias de desenvolvimento no seio da estratégica união que pacificou a Europa, mas que tarda em convergir no que respeita ao futuro comum.
Todavia, a pandemia do Covid-19, que causa o caos no mundo, relançou o debate sobre como apoiar a economia da UE. Se a maioria dos Estados-membros (EM) apoia os eurobonds, quatro dos que pagariam taxas de juro superiores às que contratariam por si, vetam um mecanismo que reforçaria a solidariedade da União. E um ministro de um deles, até disse que alguns EM gastariam, perdulariamente, o que recebessem. Foi grosseiro demais, em assunto controverso!
Acontece que a atual crise global, sem precedentes na era moderna, não se compadece com a manutenção dum diferendo ignóbil, que coíbe o aprofundamento político e social da UE. E o crescente entendimento de que, se a União não aprofundar a sua atual integração, soçobrará, ocasiona pressões políticas para criar coronabonds, termo que relaciona a atual pandemia com o financiamento da economia. Mas, associar um evento tão negativo a uma solidariedade ativa e positiva, não foi feliz. Reforçar a UE exigirá coragem (coraje, coraggio, courage, mud, mod,…, consoante o país) e inovação, sem ser necessário chamar coronabonds, corbonds, ou m-bonds, aos eurobonds. E só se vier a haver unanimidade dos Estados-membros, é que se poderão vir a implementar as imprescindíveis, e urgentes, emissões de títulos de dívida pública europeia.
Na minha vetusta licenciatura em engenharia mecânica, só tive uma disciplina semestral de economia. Mas, mesmo quase sem formação académica nesta área, ao acompanhar e apoiar, durante décadas, o desenvolvimento do Centro do país, entendi que não são só as economias de menor dimensão que não dependem apenas delas, mas de tudo que as rodeia. E ao dirigir instituições e empresas, aprendi, com trabalhadores e empresários, que o mesmo acontece com todas as organizações que, por criarem empregos que melhorem a vida de trabalhadores e famílias, levam os governos, e a UE, a apoiar a sua laboração, e os investimentos necessários.
O que não deve fazer esquecer que, mais importante que conceder apoios, é desburocratizar o funcionamento dos Estados, e das economias, para diminuir custos de contexto. E que, sendo vital que chefias e trabalhadores acompanhem a contínua evolução tecnológica, e que patrões e empresários dominem as modernas técnicas de gestão, é preciso reestruturar e modernizar, simultânea e permanentemente, os diversos sistemas de ensino, e as formações contínuas.
Em suma, os eurobonds nunca serão, só por si, suficientes, mas, se financiarem a criação de emprego, e a retoma económica dos Estados-membros mais depauperados, e caso estes se desburocratizem e modernizem, o sucesso e progresso da UE, virá por acréscimo. Doutro modo, a pandemia criará um desastre económico que lesará PIGS sulistas, CÓRNEOS nortistas, e os restantes. O que poderá ser o fim da União Europeia, e do sonho da Europa viver em paz!

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