Opinão – “Guia prático para gente com tosse ou “panicosa”

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Guia prático para os doentes emocionais nestes dias de virología acéfala. Emocional aqui é a sintomatologia do medo num espaço de ignorância e incerteza. Isto serve para adultos:
1- Tens sintomas de febre (mais de 37,5º), ou frio? Ou dores musculares? Ou tremores e dores musculares e tosse? Tens isso tudo mas vais à casa de banho pelo teu pé e não te cansas? Manténs apetite? Então fica em casa e faz um ben-u-ron (paracetamol) 1000 cada 8 horas e intercala com o nolotil (metamisol). Podes também usar o nimed se não tens história de dores de estômago. Podes usar aspirina. Não necessitas para nada de fazer teste de virologia. Não precisas de sair de casa tocar maçanetas, corrimões, entrar em lugares públicos. Cuida de ter uma distância dos idosos e resguarda-te mais que o normal. Não tenho mais nada para te dar. Se és meu amigo podes ligar-me para discutir a economia ou o Paulo Portas que agora é médico.
2- Andas cinco passos e cansas-te muito? Junto com isso sentes que te custa respirar? Fazes força para encher os pulmões? Nunca sentiste isso com ansiedade? Se és doente nervoso, emotivo, já te apertou o peito, já te saltou a lágrima, mas não é isso? Já viste um peixe a sair do mar? És dos que tem história de asma e portanto percebes bem o que estou a dizer? Vem ao hospital para te observarmos. A falta de ar é o sintoma mais importante nesta doença.
3- Estás cheio de medo e queres fazer um teste da doença para viver feliz? Tens um bocadinho de tosse (toma ambroxol ou faz uns chás de limão com mel) e catarro? Se não tens sintomas de nada não dês trabalho. Controla a respiração, faz mindfulness, telefona para gente da saúde. Compra lenços, assoa-te, não metas os dedos no nariz e depois nos talheres, nos teclados e control de TV. Controla-te e segue a vida como sempre. A manifestação menor da doença passa por ti como cão por vinha vindimada.
4- Estás doente há muitos anos e agora carregas com uma coisa que parece uma gripe? Não te sentes um peixe arrancado ao mar? Então faz os tratamentos de todos os dias e mais o Paracetamol e/ou Nolotil. Come. Bebe o copinho de tinto de todos os dias e deita-te. Não careces de teste nenhum. Não careces é de ir espalhar a tua angústia e a tua doença por todo o lado.
O teste é um meio académico de identificação dos portadores mas não cura, não trata, não melhora! Não muda a doença. Se é para te alterar o comportamento és tonto. O teu comportamento deve ser sempre o de um teste positivo quer sejas quer não. O teste é importante para nós, no SNS, estudarmos a epidemia e isolar os casos graves e proceder em conformidade porque o vírus é de facto muito contagioso. Mas para o doente que descobre que está positivo o que vai variar? Há tratamentos específicos? Não! Há ensaios e isso nunca foi tratamento. Há uma resposta imune do doente à doença? Há e é ela que o cura – tu curaste sozinho em 85% das manifestações desta doença. TU, sozinho! Essas teses difundidas em “pós-verdades” em gloriosas vaidades de alguns não provaram nada. Ciência é uma coisa que obriga a evidência, obriga a reproduções eficientes com resultados semelhantes. Se os anti-palúdicos curassem, o Estado dava, pois era muito mais barato que a confinação. Se os fármacos contra a Sida servissem distribuíam-se gratuitamente pois poupavam-se dezenas de milhões de euros. Não acreditam que para o óbvio há estúpidos no governo. Não! Fazem o que podem com a ajuda da evidência e da gestão dos recursos.
Para ajudar fiquem na varanda ao Sol, apanhem calor, comam o que gostam, controlem a febre (as dores musculares normalmente são manifestações da febre) não andem enrolados com as pessoas da casa. Se possível quando usarem uma casa de banho – limpem-na e desinfectem para os outros. É indesculpável a sanita suja das vossas excreções carregadas de vírus (procedam sempre como se tivessem).
Tu que tens um lar e uma IPSS não fujas da crise, não queiras despachar os idosos todos para não teres de te haver com eles. Tu que trabalhas nos lares não te esqueças que te deram de comer estes anos todos. Agora é o dia da solidariedade. Protegida, já se vê. Com cuidados acrescidos, mas solidária e presente e adulta.

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