Opinião: Os autores fantasmas da nossa desgraça

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Nos últimos dias temos assistido a notícias sobre autores que escrevem para outros assinarem, sendo pagos para isso. São como os pais em mulheres alheias. Mas, os montantes recebidos são diminutos para compensar tanta indignidade científica e moral. Mas, não se trata de uma maleita nacional pois num livro comprado por mim no México encontrei a denúncia de um parecer, como se diz por cá, de um Prémio Nobel da Economia que recebeu por ele umas centenas de milhar de dólares para escrever uma patetice lucrativa para alguém que lhe pagou para fazer tal coisa.

Não se trata aqui de passar um qualquer aluno mal preparado, como frisava o deputado Constituinte Peixoto em 1822: “Toda a gente se queixa da demasiada gente que concorre à universidade, e da mui pouca que faz progressos na vida literária; pois então porque não se hão de ir joeirando os alunos delas desde os preparatórios?” ( 1 ).

Aqui trata-se da fraude que é um sistema de ensino que só certifica e não capacita ninguém, nunca joeirando os alunos. E isso só é possível quando há Universidades cuja missão é certificar sempre… e até ao Domingo como sabemos. Mas, o nosso “bom coração” também é culpado quando aceitamos “passar” alguns que pouco sabem e estão por isso destinados a causar prejuízos ao público em geral e a alguns “clientes” em particular.

Enfrentamos por isso o risco de sermos mal servidos em qualquer serviço público ou privado, e só por terem ao seu serviço funcionários mal apetrechados em saber e equipamentos, mas ficará tudo bem se perdoarmos tanta aselhice. Afirmam-nos.

E tudo fica melhor se esquecermos uma Ministra, a Dra. Maria de Lourdes Rodrigues que só quis degradar a carreira docente, construir obras dispendiosas de “requalificação de escolas” e lucrativas para empresas escolhidas, acabar condenada a três anos e seis meses por prevaricação de titular de cargo político, queixando-se só da “instrumentalização da justiça no âmbito de conflitos político-partidários” e de “preconceitos [do sistema judicial] sobre os políticos” (https://observador.pt/seccao/pais/maria-de-lurdes-rodrigues/, acesso em 6 de fevereiro de 2020 ).

E chegou assim a Reitora do ISCTE. Desculpa-se também assim de nada ter feito para melhorar o sistema de ensino português, e sem que ninguém pareça estar com vontade de a responsabilizar pelo mal feito.

Entretanto, dadas as más perspetivas de carreira que estruturou em 19 de Janeiro de 2007, que tudo pioraram, há falta de professores por muitos se terem ido embora e outros não os quererem substituir. Só sabemos que ela é a autora fantasma de tudo a mando do Primeiro Ministro José Sócrates cujos objetivos, sabemos agora, não era melhorar a Escola.

( 1 ) Diário das Cortes Gerais e Extraordinárias
da Corte Portuguesa, 6 de Maio de 1822,
p. 74, p. 75, 76, coluna 1.

Pode ler a opinião de Aires Antunes Diniz na edição em papel desta segunda-feira, 17 de fevereiro, do Diário As Beiras

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