Opinião: Neste dia de Carnaval

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Nem sei que vos conte, neste dia de Entrudo. Pensei em discorrer sobre os habituais devaneios locais, da fábula do aeroporto internacional de Antanhol à clássica ideia de Coimbra poder vir a liderar a criação duma nova região metropolitana, entre as que há, junto à capital do Norte, e do país. Mas cuidei que poderia ser levado a sério, num dia em que todos nos queremos divertir…

Daí ter meditado em louvar políticas de um governo que anda, quase há um lustro, a anunciar que a austeridade acabou, pelo que, embora tardiamente, decidiu finalmente aumentar a função pública em 0,3%! Uma excentricidade digna de reis! E que, num gesto de magnanimidade real, julgou ter condições orçamentais para dar mais dez cêntimos por dia, antes de impostos, aos que auferirem (no Estado) até 683 euros brutos por mês. Extravagância colossal! E ainda sugeriu aos empresários deste país que partilhassem os ganhos de produtividade com os trabalhadores, e que os aumentos salariais a negociar anualmente, superassem também as taxas de inflação previstas!

Pelo que, se tal acontecer, os aumentos salariais dos trabalhadores privados quase decuplicarão os que o mesmíssimo governo atribuirá à função pública! Mas, se esta não incrementou a sua produtividade, ajudando a melhorar a do país, não terá sido por não terem desburocratizado leis e procedimentos? E aquelas taxas de inflação não afetarão igualmente os funcionários públicos?

Por falar em coisas reais, considerei arrazoar sobre a autoestrada dos Duques – o de Coimbra, e o de Viseu -, que talvez por efeito de más práticas republicanas, mais não será que um itinerário vulgar, em parte com perfil de estradão real, perdão, autoestrada, para quem se apraz com umas migalhas, como julgarão certos soberbos alfacinhas, que consideram os beirões… uns pobretões.

Obviamente que matutei em recontar a saga da automotora que seria metro, mas que tantos anos depois e após incontáveis estudos que custaram fortunas, ainda nem é o pomposo metrobus, que mais não será do que um vulgar autocarro elétrico, a circular em vias estreitas, se bem que mais largas do que a portentosa visão panorâmica de políticos locais e nacionais, que deviam dirigir o destino de um povo tão sereno, que pouco ou quase nada exige aos que não o sabem governar.

E cogitei em comentar a expansão da epidemia “Covid-19”, e a ideia mirabolante de apetrechar quatro ambulâncias exclusivas, a operar em Faro, Lisboa, Coimbra e Porto, para conduzir casos suspeitos que, eventualmente, venham a ocorrer por aqui. É caso para dizer que este governo laico contará demais com a ajuda da Nª Sª de Fátima, para livrar o país de tão desmesurado mal.

Ou examinar assuntos vitais. Como as arbitragens caseiras que lesam clubes de futebol repletos de estrangeiros pagos regiamente, mas que proporcionam infindáveis programas televisivos com venturosos comentadores desportivos (e políticos!) que arrebatam imensos telespectadores, com os quais ganham balúrdios. Ou averiguar se a genial ideia de importar árbitros, poderia provir de quem não tivesse visão e imaginação de águias. O mundo do futebol, em que abundam petardos, “very lights”, “leaks” (fugas), e os tais cânticos racistas, é, realmente, absurdamente fascinante!

Sendo os temas económicos e políticos despiciendos para a maioria das pessoas, não vos maço mais. O melhor, é ir a um dos muitos corsos que ocorrem por aí. E como dizem que a vida são dois dias, embora só por si o carnaval sejam três dias de reinação, se aceitar a minha sugestão, deixe o jornal, e venha comigo apreciar o que tão assombroso país tem de melhor: segurança, sol, mar, praias e mais paisagens sublimes, gastronomia, arraiais, e um povo deveras simpático.

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