Opinião: Iniciativas que contam… Substituir uma Bandeira

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Algumas horas antes do final do dia iniciava-se a retirada da bandeira britânica dos mastros das instituições europeias. A inconfundível Union Jack, cujo desenho combina as cruzes dos três patronos São Jorge (Inglaterra), São Patrício (Irlanda) e Santo André (Escócia), deixava o Conselho e o Parlamento Europeu. No seu lugar era hasteada a bandeira europeia. À meia-noite de 31 de janeiro na Europa Central – onze horas da noite em Lisboa, Londres e Dublin – consumava-se um momento histórico: a primeira saída de um Estado-Membro do Projeto Europeu.
A substituição da bandeira britânica pela europeia foi o momento simbólico de não retorno num processo complexo, conduzido por vontades, equívocos e emoções, que teve na passada semana momentos particularmente intensos.
Os acontecimentos no Parlamento Europeu, depois da aprovação do Acordo de Saída, foram reveladores do turbilhão de sentimentos, de irracionalidades e de convicções dos principais atores. De um lado, a teatralidade (circense ao mostrar as peúgas britânicas) de Nigel Farage gritando “Odiamos a União Europeia” acenando adeus com bandeirinhas, bem como os brindes com champanhe (britânico presume-se) entre adeptos da saída; do outro lado a claque com cachecóis “Always United/Sempre Unidos” e a espetacularidade de um coro a entoar, de mãos dadas, “Auld Lang Syne”, uma canção tradicional escocesa ali dedicada aos eurodeputados britânicos que saíram. Fico suspensa, no momento histórico, com estas imagens.
Sabemos que o Reino Unido sempre teve uma relação ambígua com a Europa: aderindo à CEE em 1973 de imediato a referendou; obreiro de Mercado Único, nunca aderiu ao espaço de Schengen ou à moeda única.
Também sabemos que o RU a partir do referendo de 2016 (vitória da saída da UE por três pontos percentuais), evoluiu num processo caótico: a sucessão de primeiros-ministros; partidos a desaparecer e novos a surgir; dúvidas relativamente ao papel dos tribunais e da rainha; custos de crescimento económico; tensões independentistas na Escócia e o cenário de uma Irlanda unida. Mas será um erro profundo considerar as causas do Brexit específicas do Reino Unido.
Sabemos como a Europa, da crise do euro à crise dos refugiados, tem frequentemente vacilado entre a iniquidade e a ineficácia. Sabemos que na mesma Europa, que respondeu a uma só voz à saída do RU, existem dez países com mais de 25% de votos anti-UE. Sabemos que hoje na Europa, como no mundo, a tendência para voltar a discursos nacionalistas, de proteção, virados para o passado e não para um futuro que terá que ser diferente, não desaparecerá com o Brexit.
É por isso que na substituição da bandeira o que verdadeiramente conta, para além das lições a tirar do lado do Reino Unido, é o modo como a Europa assume os desafios futuros…
A UE a 27 continuará a ter o “maior mercado interno do mundo” mas será uma Europa mais pobre, será seguramente menos atlântica e menos aberta ao mundo.
Em relação a Portugal, há que lembrar as consequências estimadas pela CIP (impacto negativo de 15% a 26% nas exportações portuguesas; impacto negativo entre 0,5% e 1% no PIB nacional) como também o facto de passarmos a estar isolados com a Irlanda no fuso horário de referência de uma Europa cujo centro se deslocaliza para leste.
Ecoam as palavras de Jean Monnet «Fazer a Europa é fazer a paz» Sinto-me suspensa numa Europa mais pobre. Acredito que o sucesso da União Europeia e do Reino Unido serão indissociáveis de uma boa colaboração e da convergência num acordo, no final do período de transição. Termino com as palavras de Ursula von der Leyen, Charles Michel e David Sassoli, no dia em que substituíram a bandeira: “Ao fim da tarde de hoje, o Sol irá pôr-se sobre mais de 45 anos de participação do RU na UE. Para nós, presidentes das três principais instituições da UE, será inevitavelmente um dia de reflexão e de sentimentos ambivalentes — tal como para tantas outras pessoas. (…) O dia de amanhã representará também um novo despertar para a Europa”. Assim esperamos!

(para partilha de informações ou comentários pf escreva para o mail iniciativasquecontam@gmail.com)

One Comment

  1. José Virtual says:

    Desejando estávamos nós que o sol se pusesse no RU! No RU e noutros! Isto já era estertor demasiado prolongado. Se é para morrer, que morra. Ou melhor, que morram todos!
    Mais outra parasita inútil que nunca fez mais nada na vida do que bater-se ao tacho.
    Se soubesse pegar numa enxada e sachar uns nabos e umas batatas já tinha pago o justo pela sua existência.
    Ao menos que tenha parido umas crias. Valha-nos isso! Cambada de fêmeas inúteis.

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