Opinião: Eutanásia

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Sou manifestamente contra a eutanásia, pelas seguintes razões: porque sou médico, porque fui político caseiro, porque conheço os homens.
O Governo em que, para a eleição de deputados à Assembleia da República, hoje cada vez mais designada por Parlamento – note-se que o termo Parlamento será o mais adequado porque os deputados, através dos seus porta-vozes, falam, falam, permanentemente, do contraditório sem resolverem ou encontrarem consenso para qualquer problema. Apenas teatralidade…
Este comportamento levou a 48% de abstenções na última eleição, e uma estatística pública publicada no Reader’s Digest menciona que apenas 4% da população acredita nos políticos. Não serão os 4% apenas aqueles que tiram proveito directo ou indirecto da política?
Sendo assim, não seria oportuno repetir as eleições, como se procede para a Presidência da República, a empossar um Governo saído das últimas eleições? Se voltasse a acontecer o mesmo, não seria preventivo, antes que surja qualquer vírus político, alterar a Constituição? Isto para que ela se baseasse nos princípios de liberdade e de responsabilidade, de modo a que a democracia seja, como devia ser, permitir e poder actuar em consonância com a própria consciência, em que os deveres se devem sobrepor aos direitos e em que a equidade, a gratidão e o trabalho são os sustentáculos do poder.
Porque sou médico… Num hospital da província são autopsiados por mês cinco ou seis cidadãos que se matam por não ter trabalho, uns 5 ou 6% provavelmente por depressão. Matam-se ou morrem também, por ano, 500 cidadãos vítimas da droga. Note-se que há 350 milhões de deprimidos em todo o mundo e todos os anos aumentam 10 milhões e os Governos e a sua regeneração são quem cria estes problemas sem solução, porque nada se produz, destruiu-se a agricultura, ou seja, a ruralidade. Não é com bombeiros que se apagam os incêndios: é prevenindo-os.
Há ou haverá um centro cerebral da dependência da droga. Apresentei à Faculdade de Medicina e ao Hospital uma proposta de investigação sobre este tema. Coimbra tem todas as condições para determinar a existência ou inexistência desse centro, mas as normas comunitárias não o permitem. Existindo esse centro, era possível operar os doentes e terminar com a dependência da droga.
As normas comunitárias permitirão a eutanásia? Não, mas querem implementá-la. Não será que aqueles que defendem a eutanásia tirarão proveito, como o Estado pretende tirar, dos velhos, reduzindo as pensões e os encargos?
Os hospitais estão cada vez mais carenciados de meios e põem em risco, primeiro, os mais velhos, por serem os menos resistentes. Depois os mais novos e ainda produtivos.
Porque fui político caseiro… No meu tempo, os deputados davam satisfações, ouviam os militantes e levavam instruções… Hoje são desconhecidos ou desconhecemo-los. Embora tenha sido político caseiro, convidaram-me para Ministro da Educação uma vez, para Secretário de Estado da Saúde uma vez e para Ministro da Saúde duas vezes.
Porque conheço os homens… Via por semana cerca de 100 pessoas diferentes, com e sem padecimento. Eles opunham-se à eutanásia, todos queriam viver e os familiares que eles vivessem.
Mas, para além de tudo isto, porque sou crente.

One Comment

  1. Um médico "confundir" eutanásia com suicídio assistido parece-me ser coisa grave e desonesta.

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