Governo pede desculpa pelos atrasos do Sistema de Mobilidade do Mondego desde 1996

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O Governo pediu hoje desculpa às populações de Coimbra, Miranda do Corvo e Lousã pelo arrastamento de instalação do Sistema de Mobilidade do Mondego (SMM), desde 1996, assumindo que o projeto inicial falhou.

O pedido de desculpas foi apresentado, em nome do Governo, pelo secretário de Estado das Infraestruturas e Habitação, Jorge Delgado, em Coimbra, na cerimónia de lançamento da empreitada de abertura do canal do futuro “MetroBus” na Baixa da cidade.

“Este projeto já viveu várias fases e as críticas sobre os avanços e recuos que já sofreu são justos e são óbvios. Devemos, por isso, enquanto governantes, um pedido de desculpas às populações desta região”, afirmou, perante os presidentes dos municípios envolvidos no SMM: Manuel Machado (Coimbra), Miguel Baptista (Miranda do Corvo) e Luís Antunes (Lousã), todos do PS.

Jorge Delgado salientou que, “mesmo que alguns dos constrangimentos possam até não ser diretamente imputáveis a quem tinha o poder de decisão, uma coisa é certa: quem não teve culpa de nada foram de certeza as populações”.

“Convém lembrar que a solução de metro ligeiro [prevista desde 1996, ano em que a Metro Mondego (MM) foi criada] falhou nas análises económicas e de procura e que, por isso, não foi possível obter financiamento europeu para a sua construção”, sublinhou.

O secretário de Estado reiterou a promessa de “fazer todas as obras e iniciar a operação, de forma faseada, ainda em 2022, concluindo este processo até ao final de 2023, data em que o sistema deverá estar integralmente em serviço”, na cidade de Coimbra e no antigo caminho-de-ferro da Lousã.

O centenário Ramal da Lousã foi encerrado há 10 anos, por iniciativa do último Governo de José Sócrates, para obras destinadas a instalar um sistema de metro que deveria ligar as estações de Serpins, no limite dos concelhos da Lousã com os de Góis e Vila Nova de Poiares, e Coimbra B, mas os trabalhos foram interrompidos algum tempo depois por dificuldades financeiras.

“Esta solução que estamos agora a construir com o ‘MetroBus’ não é a solução que tinha sido prometida inicialmente, com um metro ligeiro, com carril. Mas o que interessa é que do ponto de vista do serviço à população não irá ser muito diferente”, assegurou Jorge Delgado.

A obra na Baixa de Coimbra, para dar passagem aos autocarros elétricos que ligarão o canal do atual troço ferroviário urbano aos Hospitais da Universidade, é a primeira lançada na cidade pela MM, cujo presidente, João Marrana, interveio também na cerimónia.

Esta empreitada custará 22 milhões de euros (26% do investimento total do projeto do SMM), disse Jorge Delgado, ao anunciar que as restantes empreitadas deverão ser lançadas “muito em breve”, previsivelmente ainda este ano.

Manuel Machado lamentou que já tenham sido gastos 118 milhões de euros em trabalhos, para fazer avançar o SMM, faltando ainda que o sistema comece “a transportar pessoas”.

“Este é um dia histórico. Vale a pena voltar a acreditar no projeto”, acrescentou o autarca, também presidente da Associação Nacional de Municípios Portugueses.

João Marrana, por sua vez, elogiou o “muito trabalho” realizado pelas anteriores administrações da Metro Mondego.

“Esta intervenção é absolutamente necessária para podermos colocar em serviço o Sistema de Mobilidade do Mondego”, sublinhou.

2 Comments

  1. Patrícia Pereira says:

    Gostava de saber para onde foi todo o dinheiro (dos contribuintes) que era suposto ser usado nesta obra!!!

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