Opinião: O 28º Congresso do CDS pelos olhos de um Congressista

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Para escrever este artigo decidi conversar com um congressista. Encontrei uma pessoa desconhecida que ia pela segunda vez a um Congresso. Perguntei-lhe pelas suas impressões e, resumidamente, disse-me que tinha chegado no sábado de manhã, sem grandes preocupações de tempo porque estas coisas atrasam-se sempre e que o primeiro discurso que ouviu foi da Assunção Cristas. E então, gostou?, perguntei eu. Respondeu que ela fez um discurso de despedida, disse que fez o melhor que podia e sabia, mas que a mensagem não foi entendida pelos portugueses. E saiu.

Aproveitou então este congressista para ir tomar um café e o que viu foi mais congressistas a chegar, uns mais conhecidos do que outros, pois uns são entrevistados pelas televisões e os outros não. As perguntas são mais ou menos as mesmas e as respostas também variam pouco: pergunta-se quem vai ganhar, o que se pretende da nova liderança, quem apoiam, o que se perspectiva para o futuro do CDS agora que há mais partidos à direita, que balanço fazem destes últimos tempos com 5 deputados na Assembleia da República. As respostas eram semelhantes, apenas diferenças de semântica e, claro, no candidato que apoiavam.

Chegou depois a hora de apresentação das moções globais, e em vez de defenderem o texto apresentado, há logo desistências de uns a favor de outros. Ou seja, há moções que são introduzidas só para alguém poder falar a favor de um candidato, pois quem fala não vai a votos. E porquê? Foi a minha pergunta. A resposta veio de imediato: ou já vinham combinados assim, ou naquele primeiro andar das salas, que é um sobe e desce que até cansa de ver, as conversas devem incluir estas coisas. Conclui que o que acontece de verdadeiramente importante no Congresso não está ao alcance dos jornalistas, nem da maioria dos congressistas, passa-se a portas fechadas.

Contudo, diz-me que vai conseguindo perceber quem está no congresso por si e quem está pelo partido e pelo interesse nacional. Ainda há gente séria na política, foi um alívio confirmar isso, disse-me.

Já madrugada fora, iniciam-se as votações. As urnas encerram e só lá para as 4 da manhã são conhecidos os resultados, os mais ou menos esperados e que se foram adivinhando ao longo do dia. Confessa-me então que pensava que tinha acabado e que podia ir embora, mas reparou num frenesim e deixou-se estar a observar a intensidade de trabalho entre as 4 e as 8 da manhã na elaboração das listas que Domingo iam a votação.

Ao contrário do anterior congresso onde tinha estado, em Lamego, esta intensidade de trabalho é diametralmente oposta, apontando como causa a pluralidade de candidatos. No fim, ficou com a impressão que aquilo a que muitos chamam tachos, ou seja, lugares em listas, são afinal ponderações genuínas sobre o que serve melhor o partido e o país. Disse-me, por fim, que regressou a casa de alma lavada, com a certeza que há boa política e bons políticos.

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