Opinião: “Madonna”

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Fui ao Coliseu do Recreios na noite passada receber uma chapada de surpresas. “O people, a crue” estava toda em peso, com bizarrias e extravagâncias. Não era suficiente ser gay, era preciso mostrar, exibir, demonstrar, fazer afirmação. Muitos eram um slogan de LGBGT e vimos homens enormes de sapatos altos com tacão fino, outros traziam fatos caríssimos que julgava que ficavam nos manequins, outros batiam palminhas e saltitavam. Vinham ouvir e saltar com os sucessos de Madonna: Like a prayer, isla bonita, like a virgin, who’s that girl e tantos outros.

Mas Madonna construiu um concerto íntimo, uma fórmula de conversa e canção, uma estrutura ao género da canção de lisboa, do parque Mayer, sem banda no palco mas com bailarinos e som directo e preparado. Os fãs estavam de pé e ela pediu que se sentassem. Não vinha para um show, vinha desabafar connosco. Falou de Fado, cantou fado e mornas, percebeu melhor que muitos a proximidade de Cabo Verde com Portugal.

O espectáculo chegou tarde porque tinha chovido no palco, mas não havia protestos nem bocejos. Preparada a audiência com uns magníficos músicos de cabo verde e não só o palco abriu-se para o público às 23 horas. Os madame X com corpo de homem devem ter saído defraudados, mas não menos felizes. Iam para a loucura, mas a menina bonita quis falar da importância de participar na luta pela liberdade, quis contar a sua vinda para Lisboa, quis falar do filho no Benfica, quis contar histórias dos que amou em Lisboa. Quis muito dizer mal do Trump e da administração americana de hoje. Madonna é candidata! Madonna tem escolha política! A extravagância andou lá mas contida na mensagem.

Madonna não escondeu por mais de três vezes a sua admiração pelo estado deplorável a que chegou o Coliseu. Devo dizer que aquela sala é uma herança para Maria Ricarte e Álvaro Covões, que alugam o espaço a oito e dez mil euros por sessão.

Receberam uma pérola e arranharam-na, delapidaram-na. Eu teria vergonha de alugar uma sala a Madonna e ouvir dela várias críticas em directo e ao vivo. “despite the rain” fez-se um grande concerto em Lisboa, onde Lisboa foi rainha e um músico mundial nos projectou mais alto e mais longe apesar das milhares de críticas que lhe têm dirigido.

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