Opinião: A incumbência

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São militantes de partidos e propagam fantasias políticas. Divulgam qualquer informação sem verificar fonte, sem prestar atenção a detalhes ou à certeza dos factos. O mesmo se passa com os medos instilados por indústrias e associações e entidades com fins duvidosos ou com estruturas criadas para construir empregos de amigos ou de filhos deles.

A existência na Saúde de ERS, ARS, ACSS, IGAS, é como na cultura a presença de SPA, IGAC e dezenas de outras que defendem interesses (ou se arvoram desse epiteto) de funcionários, criadores, actores etc. A verdade é que no fim de tudo isto morre um homem numa tenda com fome e frio.

A verdade é que com todas as instituições o SNS vive a sua pior década. Esta é a doença típica da nova sociedade de excesso de linguagem, de excesso de palavras ocas e diminutas acções com eficácia. Defende-se aos gritos uma ideia de que parece depender uma benesse e depois gastam-se milhões sem verificar, sem apresentar resultados e sem assumir erros.

Mais curioso é que os militantes concluem coisas diferentes dependendo dos protagonistas. Se para António Costa a diminuição do desemprego, a melhoria das contas públicas, o melhor orçamento da década é fantástico, já para Donald Trump, com o menor desemprego americano do século, melhor resultado empresarial do século, maior força da bolsa de sempre é uma besta! Enfim… discursos aleijados em línguas viperinas.

Esta tipologia dos discursos parecem incumbências – a necessidade do vilipêndio na nova política, a importância de arrasar pela ofensa e pela desqualificação. Isto é tão perpassado que chega aos que deviam ter mais modéstia. Hoje o bêbado da esquina acha-se um génio e tem opiniões.

O ridículo do discurso informado lembra-me o passageiro que entra no avião e assina um consentimento e pergunta como se pilota aquele objecto… já não há sensação de ridículo!

A incumbência é um serviço que se presta à convicção. Entre os militantes há o desejo de ajudar a causa arruinando reputações, destruindo nomes, transformando génios em cocos. Ninguém é perfeito e ninguém é pleno de virtude e desse modo é fácil grelhar em lume brando.

A falta de vergonha da incultura, o instagram dos analfabetos é o caminho do fim da história, da filosofia, da ética, do estoicismo. Constrói-se discurso que justifica a criação de instituições, ou mentiras convenientes para gastar milhões, ou medos que servem para caluniar terceiros… O mundo não está na melhor fase.

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