Drama da violência doméstica inspira instalação artística em Coimbra

Maria João Damas vai captando, na espuma dos dias, olhares na vida suspensa de outros. Vai guardando sons, cores e gestos que consegue, depois, transformar em arte. Desta vez, é a violência doméstica a marcar a exposição “Mal me quer, bem me quer, muito, pouco ou nada”, que é inaugurada amanhã, às 16H00, no Centro Cultural Penedo da Saudade, em Coimbra.
Considerando uma das mais incompreensíveis problemáticas contemporâneas (a violência doméstica), e utilizando a arte através da instalação, “Mal me quer, bem me quer, muito, pouco ou nada” unifica e relaciona outros temas como o desamor, as expectativas, o romance, a violência, a morte e a forma como se concebe o quotidiano das vítimas, evitando, no entanto, a linguagem visual utilizada habitualmente, “a qual reflete tantas vezes uma imagem que tende a quantificar e que nos catapulta para um labirinto de números fazendo esquecer o essencial, os seus rostos”, refere a artista.
“Mal me quer, bem me quer, muito, pouco ou nada” ergue-se através da utilização de objetos de uso comum que apropriados se apresentam dominantes na sua intenção. Estanques na sua forma e de forma intencionalmente demorada, foram adquirindo uma nova interpretação, ganhando outras formas, outras expressões nos seus propósitos.
A partir do uso da instalação, a exposição questiona, “numa atitude particularmente crítica, a imagem que cada um de nós edifica anulando os sentidos que nos conduzem à distância que segura o nosso bem-estar no mal dos outros”, refere Maria João Damas. É, por isso, um “projeto intimista” que, promovendo o espaço de reflexão, vai questionando o lugar da condição humana na vida atual, revelando através das suas peças o conhecimento da emoção, ou a falta dele.
“ “Mal me quer, bem me quer, muito, pouco ou nada” simboliza a crença inocente de podermos ser amados com o cair de cada pétala”, diz a artista.
Maria João Damas nasceu em Coimbra, em 1971. Autodidata, é licenciada em Serviço Social pelo Instituto Superior Miguel Torga, com pós-graduação em Economia Social pela Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra. Em 2018 decidiu dar a conhecer o seu trabalho e desde então tem dinamizado e tem sido convidada a participar em diferentes exposições.
A instalação artística de Maria João Damas, no Centro Cultural Penedo da Saudade, ficará patente ao público até 5 de fevereiro.

 

#mariajoãodamas

 

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