“A Doença do SNS” vista por Manuel Antunes nas Lojas de Saber

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DB-Pedro Ramos

Ao longo da sua carreira, a que área(s) do saber se dedicou?
Como é sabido, eu sou um cirurgião cardiotorácico. Nessa condição, sempre me dediquei essencialmente à clínica desta especialidade, naturalmente acompanhada pela minha atividade pedagógica enquanto professor universitário. Neste último aspeto saliento a minha intensa atividade editorial, que conta com mais de 430 publicações científicas, a grande maioria em revistas internacionais da especialidade, e com a participação nos corpos editoriais de uma dezena e meia destas revistas.

Quais foram as experiências mais marcantes da sua carreira?
Durante a minha vida profissional, depois de terminado o curso de medicina, o princípio de tudo, exerci a carreiras clínica e de ensino em três ambientes completamente diferentes, inicialmente em Moçambique, então território Português, passando pela África do Sul e finalmente em Portugal. Cada uma destas experiências me marcou de uma forma decisiva, da primeira, ressalto toda a minha vida escolar, da escola primária à faculdade, e da segunda a consolidação do meu saber e o desenvolvimento de um modo único de estar na medicina, que me caracteriza. Naturalmente, a criação e consolidação de um novo serviço de cirurgia cardiotorácica nos Hospitais da Universidade de Coimbra, que rapidamente ascendeu a lugar de destaque tanto a nível nacional como a nível internacional, tem que ser considerado o mais marcante de todos.

Com o saber que acumulou ao longo da sua carreira, que ensinamentos pensa que pode transmitir às gerações mais novas?
Saber e experiência são duas qualidades indissociáveis. Isso mesmo transpareceu durante toda a minha vida profissional com a combinação entre prática clínica e o ensino universitário. Mas para além do saber científico há outros aspetos que fazem parte da nossa atividade pedagógica. Na última fase da minha vida, penso que me distingui pela intervenção que tive na área da gestão de unidades de saúde, especialmente no campo da gestão intermédia, isto é, dos serviços. Sobre este assunto, escrevi um livro – A Doença da Saúde, que teve muitas vendas e gerou muita controvérsia. E tenho dado aulas em cursos de pós-graduação, mestrados e doutoramentos em várias universidades portuguesas. Esta minha intervenção nas Lojas do Saber faz parte do esforço que tenho desenvolvido no sentido de influenciar a construção do novo modelo de gestão para o nosso Serviço Nacional de Saúde.

Hoje vai participar no programa Lojas de Saber, no Exploratório. O que é que o público pode esperar desta sessão?
Na minha intervenção nas lojas do saber, a que dei o título de “Reinventar o SNS”, pretendo fazer o diagnóstico da ‘Doença do SNS’ bem como sugerir vias terapêuticas que lhe permitam satisfazer cabalmente o preceito constitucional do ‘direito à utilização dos serviços de saúde, não devendo o seu estado de riqueza ser condição importante no acesso a eles’ e os objetivos há quatro décadas traçados pelos seus fundadores, tendo em conta a natural evolução da nossa sociedade.

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