Projeto de Coimbra para monitorizar estado das estradas vence “Óscar do Espaço”

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A ‘startup’ de Coimbra Theia venceu na quarta-feira o prémio europeu Copernicus Masters, “considerado o Óscar do Espaço”, com um projeto para monitorizar o estado das infraestruturas rodoviárias, foi hoje anunciado.

A Theia venceu o prémio Copernicus Masters, instituído pela Comissão Europeia e pela Agência Espacial Europeia (ESA), na categoria “Digital Transport Challenge”, com o projeto “ERMES” (Extensive Road Monitoring Early-warning System), informou hoje o Instituto Pedro Nunes, instituição de Coimbra onde está sediada a empresa.

O projeto utiliza dados de satélite de observação da Terra para monitorizar a estabilidade de taludes e o abatimento do solo de autoestradas e rodovias, permitindo identificar de forma precoce ocorrências potencialmente perigosas, assim como uma primeira avaliação mais rápida da integridade das infraestruturas após desastres naturais.

De acordo com um dos cofundadores da Theia, Ricardo Cabral, a aplicação permite fazer atualizações semanais do estado das infraestruturas e identificar zonas críticas, nas quais possa ser necessário avançar com medidas de prevenção.

O prémio agora atribuído permite “dar um salto para fazer outro tipo de projetos”.

A equipa já foi abordada por um potencial cliente estrangeiro aquando da apresentação do projeto, no âmbito dos prémios Copernicus Masters, disse à agência Lusa Ricardo Cabral.

Os próximos tempos serão ocupados a fazer um estudo de viabilidade financeira, em que trabalham com potenciais clientes e adaptam a tecnologia e a ferramenta às necessidades do mercado.

O ERMES surgiu depois de um primeiro projeto, também ele financiado pela ESA e que foi finalista noutra edição do Copernicus Masters. Nesse, a equipa desenvolveu um sistema de monitorização de sítios arqueológicos através de imagens de satélite, com projeto-piloto aplicado em parceria com as Direções Regionais de Cultura do Alentejo e do Algarve.

“Há uma destruição de um grande número de sítios arqueológicos enterrados que não foram escavados por causa do olival e amendoal intensivo e a aplicação permitia monitorizar dois mil sítios e identificar obras que estavam a ser feitas sem acompanhamento arqueológico”, explicou Ricardo Cabral, que tem formação em arqueologia.

No seguimento desse projeto, a ‘startup’ incubada no Instituto Pedro Nunes (IPN) decidiu explorar outras áreas em que a sua plataforma pudesse ter uma aplicação, tendo optado por um sistema de monitorização de infraestruturas rodoviárias, contou.

O projeto ERMES da Theia está a ser apoiado pela iniciativa “Small Business Applications”, da Agência Espacial Europeia, que em Portugal é coordenada pelo IPN.

O IPN coordena, desde 2014, a incubadora portuguesa da ESA (ESA Bic Portugal), onde são apoiadas empresas que transferem tecnologia espacial para setores com aplicação na Terra.

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