Opinião: Uma economia que funcionava

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Agora que percorro campos desertos e aldeias que morrem, esqueço-me que “Com o passar dos séculos, o crescimento de grandes rebanhos implicou o alargamento do raio das deslocações dos rebanhos da Estrela, em busca de pastagens, para as campanhas da Idanha, para a região do Douro, para os campos do Mondego, nos arredores de Coimbra, e para o Alentejo (região de Évora e Campo de Ourique)”. 1

Funcionava então uma pastorícia que, associada ao cultivo dos campos, dava que comer escassamente a muitos que um dia partiram, enquanto os que ficaram em algumas aldeias vivem sem esperança, onde vagueiam simplesmente, sentando-se nos abrigos das paragens de autocarro que não vejo chegar. Também como não há gente que o justifique um minimercado fechou e transformou-se numa carpintaria.

Um café quase nada tem que se mastigue e lá dentro a tristeza ocupa uns homens silenciosos. Um funcionário de uma rede telefónica mostra-se ativo, mas ninguém se sabe com quê. Num supermercado de uma vila próxima foi difícil encontrar um funcionário, talvez porque pouco crente acerca da existência de clientela, para que viesse receber-me o dinheiro de uma compra.
Pergunto-me agora para que serviram tantos professores que ensinaram como se fazia o desenvolvimento económico e social das regiões. Parece que ninguém quis aprender ou aplicar o que diziam e também não leram os livros citados. Constatou-se há pouco que um desses sábios professores nem sequer existia.

Diz-me um site de uma Universidade. Pareceu-me que queriam dizer que era apenas personagem de ficção macabra. Parece que então os estudantes só liam, mas sem nada entender, os livros sobre investimentos financeiros. Estava todo envolto num espesso véu monetário.

Tudo se sussurrava com dogmatismo, que não deixava ver o real que se despovoava e se transformava num inferno verde. É este que demasiadas vezes no verão é pasto de chamas, empobrecendo-nos a todos e enegrecendo as paisagens.

Entretanto, falando só de dinheiro e de papéis comerciais, as poucas poupanças da gente que daqui partiu para fazer pela vida, esfumaram-se e agora encontro só ruas vazias, aquecidas por um sol outonal. Há gente que parece sofrer de uma doença que se chama desesperança e solidão, enquanto a farmácia abre escassas horas para dar uma saúde demasiado artificial a esta gente.

Mas, perto discutem-se casos de corrupção e há gente que intriga como se isso resolvesse alguma coisa. Entretêm-se com inócuos e infrutíferos jogos de poder, mas o Povo sabe bem que é só fogo de vista e muita pólvora seca.

1 Maria Adelaide Neto Salvado – A propósito de uma tesoura romana de tosquia da região da Covilhã, do Museu de Francisco Tavares Proença Júnior, in Materiaes, III Série, n.º 2, 2018, Sociedade do Museu de Francisco Tavares Proença J.or, Castelo Branco, pp. 69-91, p. 79.

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