Opinião: SNS – de degradação em degradação sem vislumbre de solução?

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Situações como a que ora se denuncia não são obviamente, em princípio, do foro ou da esfera do Governo.
“De minimis praetor non curat”! (O pretor não cuida de coisas insignificantes).

A degradação a que se assiste nas instalações dos Centros de Saúde são fruto de negligência, de descaso, de inconsideração dos gestores públicos? Acossados por notória ausência de recursos ante os estrangulamentos orçamentais que se registam na administração pública? E a quem imputar responsabilidades?

Eis o quadro:
“Consulta na Unidade de Saúde Familiar de Celas / Coimbra.”
Retardamento aparentemente injustificável. Para uma justificação atendível, plausível, mas evitável se as coisas se processassem normal, regularmente…

É que o médico de família teve necessidade de se transferir de gabinete porque o que ocupava (e já tinha parte de uma janela “remendada” a cartão com fita adesiva) apresenta mais vidros quebrados, a permitir a penetração da chuva (abundante na época), do frio e do mais. Com óbvios reflexos na comodidade e na saúde de quantos ali permaneçam.

É inadmissível que o descaso tome conta das estruturas.O elevador do Centro também não funciona, o que compromete a mobilidade; a energia falta sistematicamente; o telefone há três meses que não funciona… E não há quem cuide minimamente das condições oferecidas ao pessoal dos quadros, aos cidadãos?

Os médicos, os administrativos canalizam as necessidades para as entidades de que dependem as soluções. Mas é como se o não fizessem. Já que as soluções tardam. E a incúria sedimenta-se no tempo. E torna-se em valor de difícil superação!
Como se diz no comunicado da ACOP, estamos em Coimbra, onde se “cerebrou”, onde se congeminou o Serviço Nacional de Saúde…

(E onde se celebrou, com pompa e circunstância, há escassos meses, o 40.º aniversário do SNS).
Ninguém se ocupa da manutenção dos edifícios?

No Centro de Saúde da Fernão de Magalhães, em Coimbra, chove como na rua, em determinadas dependências? E não há quem de tal se ocupe? A que se deve este acumular de situações? E o que se passará noutros pontos do território?

Para que as soluções se resolvam será indispensável que se constituam Comissões de Utentes a pressionar as paredes do poder?
E que não “larguem” o osso (com escândalo público, se tal o exigir…) sem que as situações se resolvam?

No caso do de Coimbra, o paciente exigiu consequente, conscienciosamente, como cumpria, o livro de reclamações (o Livro Amarelo) e nele lavrou:

Motivo da reclamação:
“O facto de um dos gabinetes médicos do 1.º andar ter três vidros quebrados, o que o torna inadequado para o atendimento dos pacientes. Para além da ausência de funcionalidade para os facultativos que ali prestam serviço. E para a sua própria saúde! (Como da dos utentes!)

Um mínimo de cuidado pela manutenção exigirá que a degradação das instalações não atinja níveis tão miserandos. Caem as janelas e nada se faz!”

A comunicação social parece passar por cima destes episódios do quotidiano como se fosse algo de desprezível, de nulo interesse! Ou terá receio de intervir, de denunciar, de se fazer eco desta pretensão universal dos cidadãos?

Sábado pretérito, porém, “As Beiras” davam-se conta do estado calamitoso das instalações do Centro de Saúde da Fernão de Magalhães. Com fotogravuras de estarrecer…

Aguarda-se o natural desenvolvimento da novela. As condições de trabalho dos que à saúde pública se consagram são, nestes termos, deploráveis, degradantes, a roçar o insólito. O que terá para nos dizer a Administração Regional de Saúde? Seguiremos, expectantes, os acontecimentos!

One Comment

  1. José Bernardo says:

    Infelizmente é assim! Há dinheiro para tudo, menos para o SNS, Educação, reformas dignas, etc. Por amor de Deus não digam que este é um governo de esquerda! É um um governo neoliberal! Não acordem e depois digam que não foram avisados!

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