Cidade sem medos – Vamos pensar globalmente

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Ousaremos pensar a demografia globalmente e considerar cada ser humano como titular de um direito a ser bem acolhido e a viver em qualquer parte do Mundo? Ou persistiremos em tratar dos “nossos”, (nosso país, nossa europa) contradizendo e desacreditando aos olhos dos mais jovens tudo o que lhes dissemos sobre pensamento global?
As Cidades têm e terão cada vez mais um papel de primeira linha na evolução, para bem ou para mal, das políticas de acolhimento e integração.
Para termos uma ideia do peso relativo das Cidades no Mundo, vejamos que nelas vivem atualmente metade dos 7,5 biliões de seres humanos e que se prevê que dentro em pouco ( 2026 ) elas alberguem dois terços dos 8 biliões.
Nascidas em geral com muralhas defensivas a delimitar os seus perímetros, há muitos séculos que as Cidades aprenderam a integrar os arrabaldes de tendas e comércios, a crescer com os artesãos e usinas, a prosperar com as diligências e os comboios que chegavam cheios de gente.
Em todos os tempos, houve forças de rejeição da mudança, houve mal venturados dispostos a expulsar os que vinham de fora, e forças de acolhimento e alargamento, conscientes de que o aumento da riqueza necessitava de mais braços, mais arte, mais ciência. Venceram estes.
Quais os argumentos que os inimigos do pensamento global esgrimem contra o acolhimento de cidadãos vindos de outras paragens do mundo?
1. São diferentes. Têm hábitos, línguas, religiões diferentes.
A força cultural de uma comunidade, citadina ou nacional, mede-se pela capacidade de influenciar outras comunidades, outros seres. Camões e Cervantes fizeram mais pela influência ibérica no Mundo do que todos os dignatários coloniais, por muitos filhos que estes tenham deixado espalhados pelo Mundo. A cultura é a grande força de irradiação de uma Cidade e de um País. Cuidemos dela e saberemos integrar todos os que chegarem, enriquecendo-a com as novidades de que eles são portadores.
2. Não há lugar para tantos.
Em cidades como a nossa Coimbra, com milhares de fogos devolutos e que continua ano após ano a perder população, bastaria encetar políticas sérias de reabilitação de edifícios para deitar por terra tal argumento. Portugal é aliás um exemplo interessante de capacidade de acolhimento, se pensarmos que em poucos anos, sem convulsões de maior, recebeu e integrou centenas de milhares de regressados das colónias africanas.
Nas nossas escolas, todos os meses os professores recebem novos alunos de países como o Brasil ou a Venezuela. E se esforçam por os integrar. Em vez de nos crisparmos, que tal irmos ver o que está a ser feito?
3. Não há emprego nem para os de cá.
Em primeiro lugar, se não há para os de cá é porque o país é mal- governado e se dá ao luxo de desperdiçar o melhor que tem. Todos os dias ouvimos exemplos de profissões e áreas de trabalho em que há falta de mão de obra, cidadãos e empresas que se queixam de não encontrar pessoas qualificadas e disponíveis para inúmeros trabalhos. Faltam assistentes operacionais em tudo o que é serviços públicos, grandes empresas vão a outros países buscar mão de obra barata para trabalhos sazonais ou mais penosos.
Com que satisfação um comerciante da baixa me mostrou no outro dia a belíssima recuperação de um precioso prédio antigo que estava a fazer com a ajuda de um ucraniano!
Então, que problema é que temos em acolher pessoas de outras origens, mais e menos qualificadas, para connosco fazerem progredir a cidade e o país?
A mudança não se fará provavelmente à escala de cada Cidade. Por isso é preciso uma rede de Cidades sem Medos, arrojadas, inventivas, viradas para o futuro. Sábado, dia 16, vamos debater na Casa da Cultura.

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