Catarina Costa: “Deixar a minha marca nos Jogos Olímpicos passa por um lugar no pódio”

DB-Carlos Jorge Monteiro

O ano de 2019 foi a grande afirmação da Catarina Costa?
Eu diria talvez que foi o culminar da consistência, porque fiz cinco grand slam e medalhei em quatro. Só não fui ao pódio no primeiro do ano, em Paris, que é dos mais fortes, juntamente com o do Japão, que decorre este mês, mas não estava no nosso planeamento.
Mas o pior foi mesmo Paris, porque é como uma segunda casa e estava muito motivada.
Treino muitas vezes em Paris, num clube, digamos, irmão da Académica, o Sainte Geneviève Sports. Estava muito motivada para conseguir um bom resultado, num pavilhão incrível, à frente de 10 mil pessoas que amam o judo. Tinha treinado muito para aquela prova e calhei com a mesma adversária do ano passado, uma francesa, desse clube, e acabei por perder a 30 segundos do final do combate e foi uma grande desilusão. A minha oponente acabou por ficar em 3.º lugar e ainda maior foi a minha desilusão, porque sabia que poderia ter sido eu. Mas essa frustração motivou-me e passadas três semanas fui ao bronze em Düsseldorf.

Os bons resultados deste ano fazem com que esteja em 4.º lugar do ranking do apuramento olímpico, por exemplo à frente da campeã olímpica, a argentina Paula Pareto…
Sim, estou à frente dela no ranking olímpico, mas no ranking mundial ela está à minha frente por 33 pontos. Curiosamente mandei-lhe mensagem há dias e falámos sobre isso. Ela não vai aos masters, que é uma competição com muito peso, que dá quase tantos pontos como o Mundial para a qualificação Olímpica.

Paula Pareto é médica, a Catarina estuda medicina. Tem 10 anos a mais que a Catarina. É uma referência?
Sim, sem dúvida. Ela foi campeã mundial em 2015, e era uma das favoritas ao ouro nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro. Quando a conquistou, um dos meus treinadores mandou-me uma mensagem com uma notícia que dizia “de médica ao ouro olímpico”, a perguntar “onde é que já vi isto…”, como que uma referência para mim. É uma grande inspiração e uma pessoa excelente.

Tem até fotos com ela no seu facebook…
Sim, no final do Grand Prix de Cancun, no México, ambas com as medalhas. Hoje somos amigas e falamos pontualmente.

Há muita rivalidade com as outras judocas do top?
É uma rivalidade bonita. Todas somos amigas, mas dentro do tapete todas queremos ganhar.

O top-5 do apuramento olímpico destaca-se por ter judocas muito jovens… Promete muita luta para os próximos Jogos
Sim, muito jovem. O próximo ciclo promete. Ainda estão a aparecer judocas muito boas da próxima geração e acho que isso é muito bom.

Ainda tem pela frente tantos anos de judo como aqueles que teve até aqui… Começou tarde, mas alguém percebeu rapidamente que tinha jeito para a modalidade…
Sim, acho que até antes de ir para o judo. O meu treinador, o João Abreu – Jocá, como lhe chamamos – encontrou-me na escola. Estava a jogar futebol com os rapazes, porque sempre gostei de desporto, e perguntou-me se queria ir experimentar o judo.
Eu não fazia ideia do que era o judo. Sabia que se lutava de kimono, que havia uns cintos, porque alguns colegas meus também lá andavam. Mas, como sempre fui curiosa, fui experimentar.
Depois do primeiro treino fui ao segundo, ao terceiro e nunca mais parei.

Dois ou três anos depois já ganhava medalhas internacionais…
Sim, penso que aos 14 foi a minha primeira medalha, no Open de Cadetes de Miranda do Corvo. Antes, aos 12, fui campeã nacional…

Pode ler a entrevista de duas páginas com a judoca Catarina Costa na edição em papel desta quarta-feira, 27 de novembro, do Diário As Beiras 

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