Opinião – Triste destino o nosso

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Na minha investigação sobre as Constituintes de 1821-1822, encontrei Henrique Xavier Baeta que nasceu em Salvaterra em 1776 e morreu em 1774. Era Bacharel na Faculdade de Filosofia pela Universidade de Coimbra, Doutor em Medicina pela Universidade de Edimburgo, Deputado às Cortes de 1821-1822.
Foi onde o encontrei como deputado interventivo, sabendo ainda que foi recebedor da Fazenda. Pelo meio, em 1800 veio para Lisboa, pois em Coimbra estava sendo perseguido e começou a dar início ao exercício de sua profissão. Em 1831 foi procurado, preso e colocado na cadeia, onde esteve até o dia 24 de Julho de 1833. Sei ainda que teve relevante obra científica publicada entre 1800 e 1812.1
É mais uma das muitas histórias de “gente valerosa”, que a Nação não acarinhou, tanto por isso não lhe permitir os tempos duros da Guerra Civil e mais ainda por existir uma mediocridade reinante que impede que os melhores possam tornar a Pátria que ficaria então orgulhosa deles.
Na verdade, todos julgam que se devem suavizar os destinos dos que fazem tudo para se alcandorar a postos rendosos do aparelho de estado ou das grandes empresas, constituindo uma oligarquia sem mérito nem qualquer valia, e que quando descobertos devem ficar impunes e mais ainda considerados sem mácula. Produzem para isso uns juízes, designados para manter a salvo os poderosos que por obras pouco valerosas o são.
Não admira que Rui Ramos, num livro publicado recentemente com edição da Cinco Um Zero, Setembro de 2019, cunhe a expressão “Conspiração Oligárquica” para descrever a realidade social e política que vivemos. É onde se acantona um partido através de conspirações bem urdidas. Fazem-no para que os partidos do poder económico se sintam à vontade e, assim, quase tudo lhes seja permitido.
Não admira que profissionais do ensino se sintam desconsiderados socialmente e economicamente, antevendo-se dentro em breve escassez de professores, já que quase não existem jovens nesta profissão, que sabemos essencial para que a nossa economia e sociedade tenha a formação profissional necessária à sua competitividade e bem-estar.
Piorando tudo, lemos e ouvimos na rádio e televisão como são frequentes os maus tratos a médicos e enfermeiros, que confirmamos pelas conversas de café que ouvimos, sem que se analisem as razões governativas e as más vontades da oligarquia reinante que fazem ocorrer demasiadas e absurdas ineficácias.
Despovoa-se também deste modo o país e a seguir delegam-se competências nas autarquias, alijando custos para que o Estado Central reserve para os senhores do Capital, que o delapidaram ou puseram a bom recato nalgum offshore, os dinheiros públicos que tão necessários são para a Educação, Saúde, etc….

1 Ver http://www.ghtc.usp.br/server/Lusodat/pes/00/pes00367.htm, acesso em 10 de outubro de 2019.

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