Opinião – Sobre a competitividade

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Nos últimos dias, soube-se que Portugal ocupa a 34.ª posição, entre 141 países, no “ranking” de competitividade de 2019. Já em janeiro deste ano se soubera que Portugal descera quatro lugares no “ranking” mundial da inovação.
O que evidencia o esforço a realizar por todos, mas especialmente pelo Governo, para melhorar a competitividade e a inovação nacional. É que a pequena dimensão do nosso mercado interno obriga o país a ser mais competitivo, para acrescentar mais valor a riquezas endógenas, como o lítio, e vender externamente o que produz.
Pelo que melhorar a competitividade do país deveria ser desígnio nacional, por o futuro de todos depender do que cada um de nós produz. Obviamente que as responsabilidades individuais são muito diversas entre si, mas todos contribuímos para uma tão fraca competitividade, das pessoas às organizações, sem esquecer o papel crucial que cabe ao Estado, no domínio coletivo.
No plano das pessoas, há que salientar o esforço a realizar por cada um de nós, para sermos coletivamente mais produtivos no que executamos, e mais proativos na busca de soluções que nos permitam agir de forma mais eficiente, seja o que for que façamos, independentemente das circunstâncias existentes que, se limitam o alcance das mudanças a fazer, não as devem impedir.
Quanto às pessoas, se tudo começa na família, passa cada vez mais pela escola. Da pré-primária aos pós-doutoramentos, pelo que o investimento educativo é vital para construir melhor futuro. E é muito importante que as Escolas ajudem a formar trabalhadores no ativo, por a melhoria da produtividade não se dar num ápice, mas resultar de esforços desenvolvidos ao longo do tempo.
Pelo que não devem faltar verbas para manter professores competentes motivados, e para criar programas dinâmicos que ajudem a desenvolver a inteligência de estudantes e de trabalhadores que, enquanto aprendem a dominar conhecimentos atuais, sejam melhor preparados para estudar conhecimentos ainda inexistentes, e para ultrapassar futuros problemas, ao longo das suas vidas.
Ao nível das organizações, há sobretudo que motivar e formar incessantemente quem trabalha, para acompanhar as mudanças vertiginosas de evoluções tecnológicas que impõem, a quem gera e vende bens em ambientes de mercado abertos e concorrenciais, crescentes capacidades de adaptação.
O que impõe aos gestores de topo das organizações proporcionarem, a si mesmos e aos que nelas trabalharem, formações contínuas ao longo das suas vidas ativas, o que é tarefa a endogeneizar, por ser a mais imperiosa de todas. Sem olvidar que as chefias intermédias são e serão o fulcro de tudo o que se produz, seja onde for que cada um trabalhe e o que faça cada um.
E se nas diversas organizações o aumento de competitividade passa por impostos baixos e por adequar a sua força de trabalho às necessidades, passa também por custos de contexto alinhados com os praticados pelos concorrentes. Pelo que os nossos custos energéticos, e outros – e as mais diversas taxas – deveriam apoiar as organizações a enfrentar a concorrência oriunda de países mais evoluídos e melhor organizados, com ambientes políticos e sociais que favorecem a competitividade global dos seus agentes produtivos, e a daqueles países em que os valores humanos são tão desprezados, que o custo do fator trabalho é absurdamente tão baixo como vil.
Já quanto aos organismos do Estado geridos por diretores-gerais e equiparados, e em que os diretores de serviços, chefes de divisão e coordenadores são as muitas chefias intermédias que enquadram a imensidade de funcionários públicos que trabalham para a satisfação de necessidades indispensáveis para o desenvolvimento da sociedade, o que fará o futuro Governo para melhorar o funcionamento não só da administração central, mas especialmente da administração local, que, por estar muito mais perto dos problemas, poderá emperrar este país?

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