Opinião: Mais um passo na construção da Economia Circular do Plástico

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As alterações climáticas tornaram-se, nos últimos anos, num dos temas mais sensíveis aos olhos dos cidadãos europeus. Dados do Eurobarómetro publicado em abril revelam que 87% dos portugueses avaliam esse tema como “muito sério”, e apontam a redução do consumo de plástico como uma das principais medidas a adotar, do lado do consumidor.

A União Europeia (UE) está fortemente empenhada na luta contra as alterações. Na senda do que está a ser feito, no passado dia 20 de setembro, mais de 100 parceiros públicos e privados assinaram a Aliança para a Economia Circular do Plástico – inserida na Estratégia Europeia para os Plásticos na Economia Circular. O objetivo é simples, mas promete ter um impacto significativo nas metas europeias de sustentabilidade até 2050: reciclar anualmente 10 milhões de toneladas de plástico para fabricar novos produtos na Europa.

Em novembro de 2018, a Comissão Europeia (CE) anunciou a sua estratégia a longo prazo para atingir uma economia neutra em carbono até 2050. No mês seguinte, e já numa fase de concretização da estratégia, divulgámos a Aliança, que foi imediatamente submetida a avaliação. Dado que se verificaram insuficiências na capacidade de oferta dos fabricantes de materiais plásticos, a assinatura da Aliança foi adiada.

Agora, com todas as condições reunidas e o fosso entre oferta e procura corrigido, a UE avança em direção a uma Europa mais sustentável. As ações a tomar incluem: melhorar a conceção dos produtos de plástico para os tornar mais recicláveis; definir uma agenda de investigação e desenvolvimento para o plástico no quadro de uma economia circular; e estabelecer um sistema de monitorização transparente e fiável para acompanhar todos os fluxos de resíduos de plástico na UE.

É urgente alterar os nossos hábitos de consumo e produção de plástico. Anualmente, são recolhidas 27 milhões de toneladas de plástico na Europa, das quais menos de um terço vai para unidades de reciclagem. Uma parte significativa desta quantidade é exportada da UE para tratamento em países terceiros que, em alguns casos, aplicam normas ambientais menos exigentes.

Estima-se que, na Europa, apenas 5% de embalagens de plástico permaneçam em circulação após uma utilização; o resto é descartado – o que resulta em mais de 80 mil milhões de euros perdidos todos os anos. A Aliança agora assinada vem reforçar o papel da UE na transição para uma economia circular neutra em carbono, por um futuro sustentável e responsável.

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