Opinião: “As legislativas de 2019”

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“Navegar no vinagre” sente a mosca que pousa no gaspacho. Assim estarão Santana Lopes e Marinho Pinto. Saber sair de cena no tempo certo é uma arte que cabe a poucos. Não esqueçamos Ceausescu e Saddam Hussein que foram depostos em violência.

Marinho Pinto teve a sua aura e agora tomba sem reflexo e sem brilho. Eu simpatizo com o seu deslumbramento e a sua frontalidade, ficando por isso com pena, mas a realidade é um rolo compressor. A realidade obriga a repensar algumas questões para Portugal que envolvem perguntas duras baseadas em factos concretos. Estamos no território do vinagre e das dores epigástricas e talvez até da hemorroida trombosada, ou a fissura anal com esfíncter apertado. 1- Será que alguns municípios não deveriam desaparecer? Faz sentido existir Vila Nova de Poiares onde votam perto de três mil pessoas e a Câmara paga salários a trezentas? Os de Poiares nem vão votar na sua Câmara para que a querem? Tábua não tem quatro mil votantes.

Porque mantemos esta dispersão da política e esta necessidade de instituições que o povo já não suporta? 2- Porque não se cria um círculo nacional para onde convergem os votos que se colocam nos distritos em partidos que não elegem naquele lugar?
A Aliança com 40 mil votantes merecia um ou dois deputados. O MRPP com 34 mil merecia a sua voz. Os 296.186 que equivalem a Livre, Chega, Iniciativa Liberal, MRPP, RIR, Aliança só colocam 3 deputados e têm mais que o PAN ou o CDS. Esta realidade mostra um sistema pouco representativo. 3- 45,5% dos Portugueses não votarem devia fazer pensar na obrigatoriedade do voto? Sou a favor de que quem não vota deve ser penalizado. Impossibilidade de contratos com o estado, impedimento de negócios com instituições públicas, perda de acesso a regalias do Estado a escrutinar.

Na análise de Coimbra temos que Mira e Cantanhede são do PSD e o resto é PS. Um PS mais convicto que S. João do Campo não há: 51% dos menos de 700 eleitores são do punho cerrado. Possivelmente há de tudo: os que votavam PS ou PSD mesmo que se opusessem uma marmota e um javali, os que têm convicção e os que acreditam, também os que têm fé! A fé nos move na política, nos clubes e na religião. Há vinte e cinco mil pessoas deste distrito que são confiáveis para o PS. Vinte mil nunca faltam ao chamamento. Porque mais de metade nem lá vai, inúmeros não querem saber, muitos atiram o voto para o poço sem fundo dos que não elegem ninguém, 2,5% escolhem o vestido de noiva.

O PS ou o PSD podem sonhar com este Distrito. Sou um descontente com estas eleições porque recuso acreditar, recuso o fanatismo, recuso a teimosia e sou dos que acha que o voto deve ser merecido: ou em obra, ou em projecto, ou em resultados. Coimbra não merece este destino. Espero que vão de avião, apanhem o comboio da Lousã, tenham consultas nos Covões, paguem rendas mais baixas, encontrem fábricas na Pedrulha, descubram empregos para os filhos emigrados em empresas de Coimbra, consigam impedir os apartamentos ruidosos dos estudantes nos seus prédios, tenham belos lugares no parque verde, percorram a beleza do Choupal Leslie. Eu posso votar PS, Iniciativa Liberal, ou Bloco, ou outro qualquer, mas tenho de encontrar quem mereça.

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