Opinião: À dezena

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Eles agora são 10 com assento parlamentar. Para além do PS, PSD, BE, PCP, CDS, PAN e PEV, temos os estreantes Iniciativa Liberal, Livre e Chega. Vai então iniciar-se a XIV Legislatura com mais partidos do que nunca, o que pode gerar alguma confusão.

Para além dos novos partidos, outros encolheram em número de deputados, o que na distribuição do espaço, quer no Hemiciclo, quer de gabinetes e salas, pode vir a dar que falar, pois o edifício da Assembleia da República não tem mais por onde esticar. Mas todos caberão, certamente. E serão mais vozes a falar me Plenário.

Dos partidos que encolheram, PSD e CDS vão ter as lideranças em disputa, ao que tudo parece. Ao contrário de Rui Rio, a líder do CDS apresentou a sua demissão na noite eleitoral. Anunciou a marcação de um Conselho Nacional para arranjar uma data e local para um Congresso electivo, onde já disse que não se candidatará.

Foi, em boa verdade, uma noite eleitoral para lá de sombria para o CDS e Assunção Cristas assumiu-o, demitindo-se. Muitos de quem sempre a seguiu a aceitou sem reservas as suas escolhas, ou se escondem ou já a renegaram. Fazem mal, porque o CDS não é um clube de amigos, exige-se responsabilidade política e institucional, tem de ir além das pessoas e, mais do que ter pressa e precipitações em apontar os culpados, há que ter esperança no futuro, num CDS sem hesitações e diferenciador, provavelmente de volta às bases, nas pessoas e nas ideias.

Tenho um amigo que antes das eleições me disse que via há muito sinais de dirigentes auto-endeusados, certos de que os melhores dos melhores tinham tomado conta do partido. Criticou a estratégia, que não privilegiava uma verdadeira alternativa à governação, mas antes era dirigida ao ego dos eleitos. Que estavam fora da realidade, cegos pelo resultado autárquico lisboeta, auto-convencidos que seriam os donos da direita. Independentemente de ter ou não razão, o que é certo é que o CDS foi colocado num momento delicadíssimo e vai ter de ser refundado, o que, aliás, não será inédito.

Levantou-se depois de ver a sua sede destruída e tomada de assalto por mais do que uma vez, e mesmo depois de ver boicotado o seu 1º Congresso, no Porto, representou a única alternativa democrática no voto contra a Constituição. Com serenidade, coragem e ideias claras, o CDS há-de reerguer-se mais uma vez. A bem da democracia e de Portugal, a alternativa democrática que o CDS sempre representou vai voltar a sorrir. Haja, por isso, esperança no futuro.

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