Festival de xadrez na Figueira da Foz homenageia Carlos Carranca

Posted by

O 13.º Festival Internacional de Xadrez da Figueira da Foz e o Torneio Internacional de Xadrez Sabir Ali, organizados pela Assembleia Figueirense, que se disputam em outubro e novembro, dedicam especial atenção ao papel das mulheres na modalidade. “No xadrez, homens e mulheres jogam entre si em pé de igualdade”, destacou Miguel Babo, da organização, ao DIÁRIO AS BEIRAS. Contudo, ressalvou, “as jogadoras têm sido vítimas de discriminação e assédio sexual”.
Foram as várias xadrezistas da elite mundial que nos últimos anos têm recusado participar em torneios realizados na Arábia Saudita, devido à discriminação a que as jogadoras estão sujeitas naquele país, que inspiraram a organização a destacar o papel das jogadoras. Para o efeito, convidou algumas das melhores do mundo e do país.
A organização do Festival Internacional de Xadrez da Figueira da Foz convidou, também, uma árbitra internacional e uma jornalista especializada na modalidade, ambas estrangeiras. As xadrezistas portuguesas também deverão participar em maior número do que nas edições anteriores. A atual campeã nacional, Mariana Silva, e a n.º 1 do ranking nacional, Catarina Leite, deverão juntar-se ao leque de participantes.

Fado de Coimbra
no feminino
A iniciativa da organização do Festival Internacional de Xadrez da Figueira da Foz fazer xeque-mate à discriminação das mulheres não se limita às xadrezistas. Na homenagem póstuma que será feita a Carlos Carranca, professor e escritor figueirense, nome ligado à vertente cultural do festival de xadrez e ao fado de Coimbra, o universo feminino também ganha brilho – e voz – , com Carla Bernardino a cantar a “Balada de Outono”.
“Carlos Carranca sempre defendeu que as mulheres também deviam interpretar o fado de Coimbra”, afiançou Miguel Babo, indo contra a corrente mais conservadora que defende que aquele é um género musical exclusivamente masculino. A homenagem inclui, ainda, a atuação dos Pardalitos do Mondego (músicos que acompanharam Carlos Carranca e Luís Goes, entre outros intérpretes do fado de Coimbra) e ex-alunos do homenageado da Escola Profissional de Teatro de Cascais. Carlos Carranca faleceu em agosto último.

Referência internacional
O Festival Internacional de Xadrez da Figueira da Foz é “uma referência nacional e internacional”. Quem ao afirma é Miguel Babo. É uma afirmação suspeita, sendo proferida por um membro da organização, mas, também, xadrezista e professor de xadrez. As suspeitas, contudo, acabam quando é o vice-presidente da Federação Portuguesa de Xadrez, Paulo Felizes, a afirmar que o modelo do Open de Portugal é inspirado no festival figueirense.
“Paulo Felizes disse, ainda, que o festival da Figueira da Foz deveria servir de referência para todos os torneios internacionais abertos realizados em Portugal”, acrescentou aquele organizador.
Afinal, por que razão o Festival Internacional de Xadrez da Figueira da Foz é tão importante? “Deve servir de modelo porque foi, durante uma década, o único torneio aberto em Portugal que permitiu aos jogadores obterem normas (sistema de classificação para chegar a mestre internacional e grande mestre) para os títulos internacionais”, respondeu Miguel Babo.

Orçamento modesto
Por outro lado, o festival “envolve a comunidade e junta a cultura ao xadrez”. E tem ministrado ações de formação para jogadores e árbitros. “Para além disso, dá condições de jogo e logísticas de primeira categoria. E é um festival, não é só um torneio”, concluiu Miguel Babo. As provas realizam-se entre 26 de outubro e 3 de novembro. O festival, com um modesto orçamento de 60 mil euros, conta com a participação de jogadores e mestres de vários países.

Leave a Reply

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

*

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.