Os media na campanha

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À medida que nos aproximamos do início da campanha eleitoral, neste ano de 2019, vou vendo, ouvindo e lendo um desfilar de preocupações, sonhos e promessas.
A maior parte destas mensagens só existe porque os media estão lá para as ouvir, as explicar e comentar, permitindo aos cidadãos (e)leitores escolher, reportando-lhes o pluralismo e a diversidade das ideias das propostas e (deveria ser) dos racionais ideológicos.
Os media são organizações de editores e jornalistas que se regem por estatutos editoriais próprios de cada órgão de comunicação social e por regras deontológicas dos profissionais jornalistas e em conjunto por princípios éticos que fazem da comunicação social a mais confiável das fontes de informação à disposição do público.
Já vão longe, felizmente, os anos em que o exercício da democracia em Portugal dependia quase totalmente das notícias, informações e opiniões que os jornais (os diários pertenciam quase todos ao Estado), as rádios (só uma não pertencia ao Estado) e as televisões (de facto uma cadeia pública) veiculavam e o que deixava aos semanários e a imprensa regional e aos correspondentes estrangeiros a tarefa de serem os contrapontos a tudo o que era veiculado por jornais e jornalistas pela primeira vez a exercer a profissão em liberdade e com a novidade de uma lei de imprensa fresquinha (marco de 1975 ).
Hoje o papel das marcas de notícias está fundada na confiança e capacidade de entropia que os jornais, as revistas em nome dos seus estatutos editoriais e em prol da diversidade de conhecimento dos seus jornalistas produz uma opinião plural assente sempre nas regras deontológicas da profissão e dos editores num mundo digital cada vez mais aberto, complexo e sem ideologia.
A tentação crescente de tudo fazer passar pelas redes sociais tem sido também oportunidade para o Google (Gg) e o Facebook (Fb) acharem que tem um papel de regulação eleitoral.
No caso do Fb, a tentativa de regulação anunciada no verão de 2018 em relação a publicidade política (obrigatoriedade de transparência do financiamento) foi recebida com desconfiança, ainda hoje não totalmente arredada, e mais recentemente a partir das eleições americanas, francesas e brasileiras – e sem esquecer o brexit – com a criação de equipas internacionais de fact checking, credibilizadas por instituições internacionais como o Poynter Institute.
No caso do Gg, empoderando jornalistas e cidadãos com ferramentas digitais que permitem estabelecer com maior certeza a verificação das notícias e a comparação de informações para reduzir as probabilidades de manipulação e desinformação.
Reduzidos a estas garantias e por maior boa vontade que os algoritmos possam ter, será ainda (e sempre) com jornalistas e editores que a informação eleitoral jornalisticamente editada continuará a desempenhar o papel central na escolha, baseada no conhecimento plural e diverso oferecido pelos órgãos de comunicação social, na concorrência de visões, mas nunca por defeito de capacidade financeira de organizar a informação.
Como é possível pois achar que não vale a pena apoiar os jornais, as revistas, as rádio e as televisões e os jornalistas que empregam?
Que mundo eleitoral teríamos se ficarmos dependentes das redes sociais e que papel regulador estaríamos dispostos a aceitar a Gg e Fb?
Não se pode hesitar e a hora de fazer perguntas aos políticos e aos partidos é agora!

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