Opinião: “Internato no SNS”

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Numa perspetiva atual, sobre a dominância crescente do sector privado sobre o serviço nacional de saúde (SNS), foi-me pedido o meu testemunho pessoal enquanto interna de formação especifica, cujo internato foi integralmente realizado no SNS. Fui interna de ginecologia/obstetrícia de 2012 a 2017, tendo concluído o internato médico em Abril de 2018.

O meu hospital de formação de base foi o Centro Hospitalar de Leiria-Hospital Santo André o qual, sendo uma unidade hospitalar distrital me deu a oportunidade de completar a minha formação em vários serviços do SNS, nomeadamente, no serviço de ginecologia e obstetrícia B do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra, no serviço de cirurgia e de ginecologia oncológica do IPO de Coimbra e no serviço de ginecológia do Centro Hospitalar e Universitário do Algarve-Hospital de Faro e do Centro Hospitalar Entre o Douro e Vouga – Hospital São Sebastião.

A passagem por diferentes realidades, permitiu-me adquirir uma visão global e completa da ginecologia e da obstetrícia. A formação prestada, foi por mim sentida como tendo sido completa, diversificada e de qualidade. Claro que as dificuldades do dia-a-dia foram sentidas, mas necessariamente contornadas, sem que para tal tivesse havido prejuízo do programa de formação que se encontra atualmente em vigor. Tais adversidades foram obviamente ultrapassadas, graças aos profissionais de saúde que trabalham arduamente em prol da doente. Houve igualmente tempo para conciliar a atividade assistencial com a académica, sendo frequentemente incentivada a produção científica. No entanto, não posso deixar de constatar que todo o internato é dotado de total dedicação e trabalho diário, com múltiplas cedências de âmbito pessoal, pois de outro modo, a qualidade seria certamente afetada.

Analisando o trajeto percorrido, voltaria a optar por um internato no SNS, pois ainda acredito no acesso equitativo da saúde e, não pondo em questão a eventual qualidade formativa prestada pelo sector privado, julgo que até que se alcance o objetivo final do bem estar da doente, existem objetivos numéricos e sobretudo financeiros, que podem vir a perturbar aquilo que define a essência do verdadeiro médico. Assim sendo, a todos os colegas que pretendam ingressar no internato médico e que sintam dúvida na sua escolha, o meu conselho é tão simples quanto… “não desistam do serviço nacional de saúde”.

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