Opinião: Celebração

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A celebração não é mais do que a “materialização” dos acontecimentos que nos deixam mais felizes e dos quais mais nos orgulhamos, numa tentativa de reforçar a memória dos mesmos, revivendo-os novamente.

Celebrar é, em última análise, lutar contra o esquecimento.

O SNS é uma daquelas coisas que tem de ser celebrada. A sua comemoração não nos deixa olvidar o poder dos sonhos dos Homens, sobretudo daqueles que tropeçam numa existência bem à frente do tempo em que vivem e desejam um bem maior para todos.

Graças a eles, Portugal pode orgulhar-se de ser um país que garante na sua Constituição um direito fundamental da Humanidade: o acesso aos cuidados de saúde a todos os seus cidadãos.

Todavia, os sonhos não se alimentam de mãos que abundam em nada, nem sobrevivem à custa de promessas ou boas intenções que nunca se concretizam.

O SNS dos nossos dias, muito fragilizado pela má gestão e desinvestimento políticos, respira aos ombros de todos os profissionais que ainda acreditam no sonho de Arnaut, não permitindo que este colapse.

Esta creio ser, a principal motivação dos recém-especialistas que teimam em persistir apesar de “carregarem” ficheiros de mais de 1700 utentes, de fazerem turnos de mais de 12 horas de urgência, mais de 100 Km por dia para chegarem às Marias e Maneis de um interior português ermo de cuidados, aparentemente esquecido por todos.

Os jovens médicos, mesmo sem uma perspetiva de melhoria das suas condições laborais e progressão na carreira médica, entregam-se firmes à convicção de que podem salvar vidas ou melhorá-las de alguma forma.

Resta saber até quando aguentarão.

Estar hoje no SNS é fazer sempre mais com muito menos, por amor ao semelhante e à camisola.

Comemorá-lo é condensar a esperança de que este prevaleça.

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