Opinião – A política da ovelha Xica

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As sondagens que andam a circular mostram várias realidades. Mas comecemos pelos números, retirados da última sondagem da Aximage e do Barómetro do Expresso (ambas desta semana):
PS: 39,1% e 42%; PSD: 21,7% e 23%; BE: 8% e 9%; CDU: 4.6% e 6%; CDS-PP: 4.9% e 5% e PAN: 5% e 4%.
O PS está no limiar de uma maioria absoluta, tendo várias outras possibilidades para garantir apoio maioritário no parlamento, caso não o consiga por si só. Apesar de as sondagens serem o que são, a tendência parece mostrar que já não há muitas dúvidas.
O PSD, depois de uma desastrosa gestão de todo o processo da formação de “geringonça” e de uma certa incapacidade de voltar à matriz social-democrata, parece perdido numa enorme indefinição programática e de ação. A ser verdade o que dizem as sondagens, o resultado será muito difícil de gerir e pode conduzir ao desaparecimento do PSD como partido de poder. Em Coimbra, a coisa pode correr mesmo muito mal, com a perda de 1 ou 2 deputados, o que seria o colapso total.
O BE, pressionado para crescer e mostrar a sua importância como partido para viabilizar um Governo, tenta seduzir o eleitorado do centro e do centro-esquerda. De um momento para o outro, anuncia-se como social-democrata, numa simples passagem de uma entrevista à rádio, para logo a seguir, em debate com o PAN, dizer que afinal é ecossocialista. Marketing à parte, o BE precisa de impedir que o PS tenha maioria absoluta ou que possa fazer maioria com pequenos partidos, estilo o (eco)PAN.
A CDU, apelidada de parceiro confiável pelo PM António Costa, parece ser o partido que mais perde com a “geringonça”. Cai nas sondagens, aparece sempre atrás do CDS e, nalguns casos, atrás do PAN. As sinetas devem ter tocado todas na sede do PCP, pois, as mensagens que o simpático líder transmite são as de alertar para o grande perigo que seria maioria absoluta do PS, tentando colar os socialistas ao “grande capital”. No Avante Jerónimo disse: “O grande capital quer garantir a maioria absoluta do PS”.
O CDS-PP passa de novo a caber num táxi. De acordo com as sondagens, vai desaparecer, ou quase, dando resultado prático a uma total ausência da sociedade portuguesa. Ainda no outro dia via algo sobre o CDS em Coimbra, tentando mostrar o seu cabeça-de-lista, e percebia a sua enorme dificuldade de mobilização: procura lugares pequenos, tira fotos de ângulos favoráveis para não se ver muito o… vazio!
O PAN é o partido da moda. De tal forma que quando o PAN está num debate só se fala dos temas do PAN, ou seja, dos animais, da ecologia, etc. Tudo o resto morre. E ainda bem para o André Silva, porque ele demonstra uma confrangedora impreparação na generalidade dos assuntos. Mas pronto, as sondagens dizem que vai eleger vários deputados. Enfim. Acredito que muita gente, sem saber em quem votar, declara que vai votar PAN por parecer um partido, simpático, inerte, que não aquece nem arrefece e trata dos cães e dos gatos. Enganam-se, basta ler o seu programa eleitoral para perceber que não é assim.
Em Coimbra, vi alguns números que apontam para o PS a eleger 5 deputados, dos 9 que Coimbra elege, o PSD a eleger 2 ou 3, ficando os restantes pelo BE e, eventualmente, o PCP, ou um partido como o IL ou a AL. Em qualquer dos casos, a denominada “direita” ficaria reduzida a 2-3 deputados. Estranho, ou talvez não, numa cidade que já deveria ter gerado alternativas.
Pelo meio o ministro Centeno, apostado em sair o mais rapidamente do Governo para não ter que enfrentar os resultados do “défice escondido”, prometeu que se mantinha até terminar o mandato do Eurogrupo. Depois, bem, depois, avaliado o seu perfil, o Ministro das Finanças resolveu dizer que poderia ser ele o novo Governador do Banco de Portugal, pois tem perfil para isso. Claro que tem. Passaria a ganhar 17 000 euros por mês, o que compara com os 5900 euros por mês que ganha como ministro, e não se teria de chatear com o resultado das suas “cativações”. O problema é que é o Ministro das Finanças que indica o Governador do Banco de Portugal. Mas isso também não seria nenhum problema porque Centeno é suficiente isento e independente para indicar para esse cargo o cidadão que é atualmente o presidente do Eurogrupo, foi candidato à presidência do FMI, foi candidato a comissário europeu e que, por acaso, é ele próprio. O país? Ora… segue a máxima da “Velha Xica”; “Xé menino, não fala política…”.

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