“Óh Costa, salva lá o Serviço Nacional de Saúde”

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Na pessoa do senhor presidente da Secção Regional do Centro da Ordem dos Médicos, doutor Carlos Cortes, atrevo-me a felicitar a intenção e o gesto da celebração dos 40 anos do Serviço Nacional de Saúde.
Em pé e à ordem no Ocidente da Ilha do Corvo, por ter pouca ou nula luz e, por tal carência não suportar excessos de claridade, obrigo-me a desbastar e a esquadrejar o S.N.S.com a força e o vigor possível dado o vento estar velho por estas bandas, mas onde quer que eu esteja bule poesia ainda…
Pena eu estar tão surdo e tendo sido criado de carne e osso vejo-me eremita na defesa do S.N.S. e constatar ser hoje mar e pedra vulcânica descomposto na compostura pelo forte soprar do vento na idade.
Ainda assim, como só a preguiça cansa o pensar , espero laivos de lucidez para o saco das preposições e das inquirições terem palavras francas em propostas de rasgar futuro ao S.N.S.
É a maior conquista de Abril!
A natureza , em todos os humanos sua dona e senhora, fez-nos num mesmo molde de forma a sermos fraternos e solidários no existir e, nalguns casos de cúmulo afectivo, como irmãos capazes de criar humanidades.
Assim nasceu o Serviço Nacional de Saúde.
Tive como Mestres o Doutor Fernando Valle e o Doutor António Arnaut como a luz do caminho que a 15 de Setembro de 1979 lembrou que a partilha dos dons deu mais a uns que a outros com a intenção de , favorecendo alguns e desfavorecendo muitos, pretender dar lugar à fraterna obrigação de cumprir os nossos deveres de nascer nos bons costumes e sermos médicos como Hipócrates nos ensinou:
Amarmos as virtudes; estimarmos as boas práticas e praticarmos uma Medicina com distinção e louvor.
O filósofo que é sempre chamado para juramentos nesta profissão de fé, recusou o convite dos persas para, junto deles, exercer o seu mister e aí enriquecer escandalosamente.
Era com os seus irmãos gregos o dever de cuidar e tratar.
Dar saúde aos persas para matarem os gregos não lhe pareceu sequer de equacionar.
O que dá a um doente a certeza de contar com o seu médico é o conhecimento que tem da sua integridade, do seu bom e exemplar feitio e do cumprir rigoroso do seu ofício e da sua palavra.
Para a bigorna do espaço por nós escolhido sobreviver ao martelo do tempo tivemos de escolher os companheiros que quisemos ter ao nosso lado para sermos capazes de aceitar as mudanças dos tempos e dos modos para ser capaz de ver e de molhar o olhar, de saber ouvir mais atentamente e ter a paciência do saber, para com mente aberta, tornar óbvias as escolhas de vida na saúde, na dignidade, na disciplina, no esforço da vontade e na firmeza dos princípios de ,como aprendiz de “ser médico”, saber que a vida é uma longa sequência de despedidas e que apenas as circunstâncias surpreendem.
É por ser deste modo republicano, socialista e laico, que grito da minha capoeira ao mando:

Óh Costa , Salva lá o Serviço Nacional de Saúde !
Contamos contigo.
Disse.

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