A propósito do Sistema de Mobilidade do Mondego

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Talvez o traçado urbano do Sistema de Mobilidade do Mondego (SMM) entre Coimbra B e o Alto de São João devesse ser em anel, mas isto já nada interessa, porque o que está em consulta pública terminará em duas rotundas de inversão de marcha, uma delas a construir perto do parque de campismo e do início da área habitacional da Portela, numa cidade que precisa de crescer para se afirmar como pólo de desenvolvimento regional que tanta falta faz ao nosso país.
E por certo haverá razões para aquele troço não ligar a rede ferroviária nacional a um parque de campismo que ajuda à dinamização do turismo da urbe e de parte da região Centro, até porque a parte suburbana do SMM passará ao lado daquele parque, pelo que seria mais conveniente que turistas e moradores não tivessem de calcorrear uns escusados 700 metros, que se tornarão muito incómodos em dias de grande calor e de fortes intempéries. Mas, de facto, não será assim!
A consulta do processo permite ver também que o “metrobus” chegará ao estádio municipal por nascente e prosseguirá pelo “velho ramal” por zonas com pouca população residente, pelo que, para o SMM servir Coimbra, deveria haver paragens junto ao estádio do União, Quinta D. João e Paço do Bispo, com acessos fáceis e seguros para residentes e alunos das escolas aí existentes.
Espera-se que a Câmara de Coimbra promova a urbanização de terrenos agrícolas ao longo daquele “ramal” e ajude à reconversão das ruínas das Porcelanas de Coimbra, permitindo que mais gente habite perto do centro, o que dinamizaria a vida e o comércio das zonas históricas da Baixa e da Baixinha, pelo que tal troço poderia ser uma oportunidade para modernizar Coimbra.
Como sempre, tudo dependerá do querer coletivo. Mas entendo há muito tempo que a escassa mobilização dos cidadãos de Coimbra em torno dos problemas estruturais da cidade e da região serão a causa principal de um atraso que se vem agravando nas últimas décadas, e que a inação popular superará até a notória falta de estratégia evidenciada por alguns que nos têm governado!
Noutras zonas deste país, o voto expresso nas eleições autárquicas tem servido para eleger quem saiba gerir e planear, e para mudar os que depois se mostram incapazes de o conseguir. Como em Braga, Viseu, Aveiro e Leiria, que atraíram tantos empresários que nem perderam população ativa, antes criaram oportunidades para cativar e fixar jovens, e para se desenvolverem imenso.
O que não tem sucedido em Coimbra, que nem sequer soube investir em novos e amplos parques empresariais, mas insiste em elevadas taxas de licenciamento e burocracias inúteis que afastam empresários e que não seduzem indústrias geradoras de muitos e melhores empregos.
Coimbra ainda capta anualmente muitos jovens para aqui se formarem, após uns anos de algum estudo e de grande diversão e animação noturna. Mas, terminados os cursos, é vê-los rumarem a outras paragens. E se os de Coimbra não o fizerem também, arriscam-se a ser ainda mais pobres amanhã do que já são hoje, e do que eram ontem os seus pais e avós, numa cidade em que as desigualdades entre certos estratos profissionais e a generalidade da população vão aumentando.
Só que a falta de investimento produtivo que há por aqui não é inevitável! Se a Câmara mudar de atitude, ouvir os empresários, e for proativa na procura e fixação de investidores, Coimbra mudará para melhor. Se não mudar, haverá que eleger quem ouse mudar quase tudo na gestão autárquica, para Coimbra se desenvolver. Como já deveria ter acontecido…, e há muito tempo!

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