Volta a Portugal: Miranda do Corvo estreia-se entre curiosos e aspirantes

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DB-Carlos Jorge Monteiro

Debaixo do olhar de uma equipa de jovens aspirantes a ciclistas, dezenas de adeptos habituais da modalidade e curiosos da vila, o município de Miranda do Corvo estreou-se hoje no roteiro da Volta a Portugal.

Para a primeira etapa da 81.ª edição da ‘Portuguesa’, a organização juntou a estreia de Miranda do Corvo, que nunca acolheu nenhuma partida ou chegada, à ‘veterana’ Leiria, que vai ser palco do final pela 19.ª vez.

Hoje, pela manhã, mais de uma dezena de atletas da escola de ciclismo do Clube União Vilanovense, de Cantanhede, marcavam presença junto ao ponto que marcava a partida simbólica do pelotão, liderado pelo camisola amarela, Samuel Caldeira (W52-FC Porto), ao lado de largas dezenas de pessoas em torno do ‘aparato’ habitual da prova.

O responsável, Arménio Alves, explica à agência Lusa que o projeto arrancou em 2013 “com quatro atletas”. “Agora são 31, até aos 16 anos”, completa.

Convidados pela Federação Portuguesa de Ciclismo, juntaram-se ao camisola amarela para tirar fotografias e talvez ainda passem por Oliveira do Hospital, ponto de partida da quinta de 10 etapas, assinala o responsável.

As regiões mais afastadas dos grandes centros urbanos e de ciclismo têm sempre aqui uma mais-valia, para a divulgação do desporto para incrementar e fomentar a modalidade

Próximo de Samuel Caldeira esteve Gustavo Alves, que, aos 15 anos, é um dos representantes do Vilanovense na Volta a Portugal em Cadetes, que arranca na sexta-feira em Abrantes.

“Ganha-se alguma inspiração. Há parecenças, mesmo que a quilometragem não tenha nada a ver”, comenta o jovem de Cantanhede, envergonhado e rodeado pelos colegas, reforçando que a passagem da Volta “dá outro relevo à região através do ciclismo”.

Cada vez mais, afirma Arménio Alves, o ciclismo “está na moda”, e é possível ver “crianças a experimentar a bicicleta”, algo que o atleta Gustavo também vê, “sobretudo através de outras vertentes, como o BTT”.

Aos 49 anos, Rui Colaço pratica BTT, mas só “pelo prazer do desporto”, e veio de Coimbra para acompanhar a partida, à semelhança de 2017, em que foi a Condeixa, por achar “giro” o momento.

“É uma divulgação grande da vila e atrai muita gente. Olhe para isto tudo”, afiança, ainda sentado no selim da bicicleta que o trouxe e totalmente equipado a rigor, já próximo das barreiras e de vários cafés do centro da vila.

Num deles, a gerente Luísa Reis ajuda os três funcionários a servir às mesas e ao balcão, num dia em que o seu estabelecimento está mais concorrido do que o costume, ainda que Miranda do Corvo, reforça, se comece a habituar a eventos, como o Trilho dos Abutres ou o estágio da seleção inglesa de ciclismo.

“Fomos ganhando estaleca”, diz à Lusa, enquanto serve cafés, águas e bolos a clientes, dos curiosos aos membros da organização à procura de um reforço alimentar antes de uma etapa que partiu pelas 12H50 e só tem fim previsto já perto das 18H00, em Leiria.

Por altura do arranque para 174,7 quilómetros, cujo ponto alto é a subida à Serra da Lousã, várias dezenas de pessoas ladeavam a estrada de onde o pelotão, com 131 ciclistas, partiu, junto à sede da autarquia mirandense.

A partida juntou, além dos adeptos da modalidade, curiosos de toda a região, os habitantes da vila e os habituais convidados da organização, de antigos corredores a outras personalidades.

Já encostadas às barreiras junto à Câmara, as amigas Felismina, Lídia e Odília são de Miranda do Corvo e esperaram “mais de três horas, mais os maridos”, pela partida. “Não fica ninguém em casa”, garante Odília.

Com brindes dos vários patrocinadores debaixo do braço, Felismina garante que a vontade foi de “participar”, até porque “é muito importante a Volta vir a Miranda do Corvo” e poder ver “tanta gente” na estrada.

“Gostamos de ciclismo e temos amor pela nossa terra. Queremos vir e participar, ora essa”, atira.

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