Opinião: Que qualificações se perfilam para um jovem do ensino superior?

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Estudos recentes sobre a transição dos graduados do ensino superior para o mercado de trabalho destacam vários desafios das agendas educativas e de emprego. A relevância do capital humano no crescimento económico, os perigos de sobre/desqualificação e menor correspondência dos diplomas aos postos de trabalho/profissões existentes e emergentes, a crescente precarização das relações de trabalho, a centralidade «qualificações-chave» e competências transversais, a globalização dos mercados de trabalho e a pressão para a comparabilidade de graus académicos e estatutos profissionais face à mobilidade transnacional, são os principais desafios que atualmente se colocam em cima da mesa.

É neste quadro mais vasto que os jovens têm a expectativa de que um diploma do ensino superior corresponda a um sistema de remuneração adequado e de prestígio e opere como uma porta de entrada na obtenção do primeiro emprego e também como proteção face ao desemprego. Entretanto, as instituições do ensino superior (IES) tendem a assumir cada vez mais o ónus de ajustar a oferta à procura de trabalho e à preparação de perfis profissionais perante cenários de antecipação de futuros trabalhos. Tanto os jovens como as IES são confrontados com a existência de sinais negativos perante a menor correspondência entre educação e emprego, fruto da progressiva abertura, ambiguidade e flexibilidade dos sistemas educativo e económico.

A promoção da empregabilidade dos jovens diplomados tem vindo a exigir das IES mudanças significativas nas suas missões. Conhecer como se processa a transição do ensino superior para o mundo do trabalho permite-nos compreender as sociedades atuais, as suas opções no domínio político, económico, educativo e cultural. A preparação dos diplomados para o trabalho tem sido, na minha perspectiva, positiva, contudo, há muito para fazer e para melhorar.

Face a alguns dados recolhidos no seio dos empregadores, a preparação dos jovens licenciados deve passar pela intensificação, por parte das IES, da utilização de práticas pedagógicas potenciadoras do desenvolvimento das competências transversais e profissionais, pelo envolvimento do estudante em atividades extracurriculares, pela maior articulação entre o meio académico e o meio profissional, potenciadora de oportunidades que levem o meio académico para os ambientes profissionais (através dos estágios curriculares em empresas, por exemplo) e que fomentem a ligação no sentido inverso – isto é, do meio profissional para o académico.

Compete assim às instituições de ensino superior agir neste sentido, para atrair o maior número de estudantes possível e para fortabecer a sua presença num contexto em que a concorrência está lançada, face à quantidade de IES existentes e ao, cada vez menor, número de estudantes aptos/interessados em ingressar neste nível de ensino.

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