Opinião: O meu lado bloquista

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Assistindo entristecido à autofagia do PSD, na qual não vejo inocentes, e impedido por razões funcionais de “malhar na esquerda”, dou comigo a apreciar este novo Bloco de Esquerda que nunca tive a oportunidade de defrontar na arena parlamentar.

A primeira impressão é de que perdeu as grandes figuras tribunícias de que dispunha (penso, por exemplo, em Louçã, Fazenda, Teixeira Lopes, Amaral Dias e outros), mas soltou também o discurso dogmático, duro e agreste, como que limando as arestas de um cubo, passando a rolar pela política com uma elegância mais esférica. Mérito a Martins, Matias, Mortágua(s) e demais actores desta nouvelle vague da nossa esquerda chique. É como se, entendendo os novos ritmos eleitorais, deixassem os tons góticos e as aparições vampirescas para soar com uma toada pop e distribuírem beijos em vez de dentadas. Chapeau!…

A segunda nota é a de que o Bloco já percebeu como funciona a coisa na era do eleitorado massacrado por horas excessivas de trabalho e com o cérebro frito por entretenimento banal e novas tecnologias dispersivas: falar claro, directo e sem grande preocupação pela memória a médio e longo prazo… Hã?! Será a resposta…

Por fim, e eis a lápide que sobre mim descerro, creio que o Bloco (com uma preciosa ajuda do PAN, creio) será quem pode evitar a maioria absoluta do PS. Pobre Direita…

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