Opinião: Contra ofensiva

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Assistimos agora a um debate eleitoral feito em monólogo por quem vai requentando promessas eleitorais, que pensa continuar a não cumprir. Entretanto, descobre-se que aquilo que foi cumprido o foi de modo incompetente também por alguém se ter aproveitado do poder para o fazer sem cumprir as normas de qualidade.

Tudo isso torna mais perigoso viver nas zonas em risco de desertificação, e só por não se ter acautelado de modo efetivo a segurança das populações em risco, onde por um criminoso ermamento já não há quem defenda as terras dos comportamentos desviantes do poder local e central.

Nada é como há duzentos e dez anos quando: “Entretanto avança de Coimbra o grosso do exército anglo-luso, sob o comando de Wellesley, depois marquês de Torres Vedras, que se apoderou do Porto no dia 12 de Maio” ( 1 ) que libertou pouco tempo depois o Barroso dos franceses que o tinham invadido.

Nota-se demais a falta de um pensamento estruturante dos dados dos problemas locais. Acontece quando se trata de equacionar os problemas derivados da extração de lítio, e das suas consequências na vida das populações nas suas diversas vertentes, como é por exemplo a agricultura que, quase por todo o lado, deixámos de ter, permitindo a precarização desesperante de quem quer viver dela.

Antes, muitos falaram de realidades utópicas por terem acreditado em falsos profetas. Mas, eram meros comentadores assalariados dos que tinham interesses obscuros. Eram os que só falavam laudatoriamente de uma realidade social transformada para melhor por uma teoria anglo-saxónica, onde tudo parecia bater certo, mas que se transformou em invernos demográficos, e só por quase ninguém acreditar numa qualquer estabilidade de vida que permita assegurar infâncias, adolescências e vidas felizes.

Agora vivemos por essa razão a iminência de alterações climáticas, que implicam na sua lógica quase infernal mais incêndios e, pior ainda, a implicada impossibilidade de alguém viver do que a terra possa produzir.

Não há agora quem conte nas Terras do Barroso como desapareceu a famosa batata de semente de Montalegre, que tinha fama e dava para alimentar tantos portugueses. Foi o resultado de políticas de destruição da agricultura, onde o desconhecimento do que se perdeu protege os culpados deste crime de lesa-pátria.

Falta-nos a ciência credível e credibilizada que faça bater retirada os que avançam com teorias danosas, aquelas que levam os povos a terem má práticas que os prejudicam de modo quase irremediável e, até, os lançam nos abismos em que se transformou o real penoso que todos viemos.

( 1 ) Fernando Braga Barreiros – Notas Históricas acerca da passagem dos franceses por Barroso em 1809, Edição da Câmara Municipal de Montalegre, 1993, p. 31.

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