Opinião: Confundindo para convencer

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Quanto à questão dos fogos que parecem ser o nosso destino para sempre, o governo sem saber o que fazer realmente, procura confundir os adversários já que não os consegue convencer sobre a qualidade da política seguida. Para ver que nada de jeito foi feito, basta tomar um qualquer comboio regional a caminho das Beiras profundas para logo concluirmos que nada foi feito para reconstruir o Interior, destruído que foi por décadas de políticas confusas sobre o que devia ser feito. E foi assim que o Interior perdeu a população que lhe falta. Por isso na Guarda quanto à política migratória nada pode ser igual ao que há 56 anos se escreveu em ata do Município local:
“a) – Que a Câmara se associe com todo o seu entusiasmo e calor patriótico à iniciativa da Câmara Municipal de Coimbra, no sentido de levar até ao Governo a nossa inteira, justa e quente solidariedade quanto à política ultramarina seguida;” .
De facto, com a confusa política prosseguida através de alianças entre o PS e o PSD, foram-se degradando as condições oferecidas aos trabalhadores portugueses, prosseguindo estes dois partidos uma política de esvaziamento populacional do Interior e até do país. De facto, só nos levou e leva à perda de competitividade pois nos falta mão-de-obra que faça existir a nossa indústria, comércio e agricultura. Partiram para outras paragens, logo aquelas onde os governantes e os empresários sabem que os trabalhadores têm de ter condições de vida que os façam felizes para serem produtivos.
Não podem por isso estas políticas convencer os emigrantes, que até andam por aí, a regressarem, já que mais os que com confusão quanto baste ficaram por aí, logo todos se arrependem de ter caído nalguma esparrela quanto à qualidade do emprego que aceitaram, aumentando por fim a vontade de todos partirem.
De facto, o regresso não pode ser sustentado numa política fiscal, tal como este governo os quer convencer, se conjugada com uma política laboral contraditória e confusa, mostrando que não quer de facto que tenham bons empregos. E assim, nunca os regressados serão suficientes para tornarem competitiva a nossa economia.
De facto, todos sabem que o país é tranquilo, mas isso não lhes dá de comer e não augura bom futuro aos seus filhos.
Sabem com certeza que uma Ministra da Educação encetou há dezasseis uma política canibalesca de ataque aos professores que envelheceu a profissão docente.
Sabem com certeza que na Saúde não houve uma política inteligente e humana de retenção dos nossos bem qualificados enfermeiros e médicos, bem pelo contrário obrigaram-nos e obrigam-nos a emigrar.
Há por isso que clarificar o que se quer pois não é confundindo que se convence alguém a regressar.

1 Arquivo Municipal da Câmara Municipal da Guarda, Ata da Reunião Ordinária da Câmara Municipal do Concelho da Guarda de 15 de Agosto de 1963, Livro de Atas iniciado em 11-3-1963 e terminado em 25-11-1963, folha 116 frente.

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