Opinião: Breve história do café (I)

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As primeiras viagens que os franceses efectuaram ao Yémen realizaram-se entre 1708 e 1710 e entre 1711 e 1713. A fortuna dos armadores do porto francês de Saint-Malo tinha a sua origem na pesca e no comércio do bacalhau, mas neste início do século XVIII, estes empresários gauleses interessaram-se, igualmente, pelo comércio do café, desejando adquirir os promissores grãos na sua origem, na cidade portuária de Moka, no Yémen, já no interior do Mar Vermelho.

Entre 1660 e 1730, holandeses, ingleses e franceses adquiriram grandes quantidades de café em Moka, situada no Yémen, cidade que entrou em declínio quando os novos cafés da Ásia e das Antilhas começaram a fazer concorrência ao que no ocidente se chamava “moka”. Holandeses e franceses seriam os responsáveis pela introdução do café nos continentes americano e asiático.

A Companhia Holandesa das Índias Orientais comprava o café em Moka mas também dera início à sua plantação na ilha de Ceilão, atual Sri Lanka e na ilha de Java, na atual Indonésia. A médio prazo, os holandeses iriam obter bons resultados com esta inovadora iniciativa.

O primeiro europeu a escrever sobre uma bebida designada “café” foi o botânico alemão Leonhard Rauwolf ( 1535-1596 ). Tendo viajado, entre 1573 e 1576, pela Síria, Arménia, Constantinopla, Bagdad e Jerusalém, tomara contacto com a nova bebida e foi o responsável pela introdução desta informação na Europa. Em 1576 publicou a obra Viertes Kreutterbuech-darein vil schoene und frembde Kreutter, sobre as suas descobertas ao nível da botânica, onde incluiu o cafezeiro. Em 1582, publicou o relato das suas viagens, Aigentliche Beschreibung der Raiß inn die Morgenländerin.

O segundo europeu a escrever sobre o café foi o médico veneziano Prospero Alpini ( 1553-1617 ) que viveu três anos no Egipto ( 1580-1583 ), tendo posteriormente publicado, em Veneza, os livros De Plantis Aegypti liber ( 1592 ) e His De Medicina Egyptiorum ( 1591 ), onde faz referência às propriedades estimulantes do café.

O hábito de beber café começou a desenvolver-se em França por meados do século XVII, sendo que este produto era adquirido em Veneza, Istambul, Alexandria, Cairo e posteriormente vendido no porto mediterrânico de Marselha. Esta cidade deteve o monopólio da importação de café, em França, até ao início do século XVIII.

Os primeiros estabelecimentos designados como cafés surgiram, no século XVI, nas cidades de Meca (Arábia Saudita), Cairo (Egito) e Istambul (Turquia), seguindo-se as cidades de Alepo e Damasco (Síria) e Bagdad (Iraque).
Barthélemy D’Herbelot de Molainville refere na sua obra Bibliothèque Orientale ou Dictionnaire Universel, cuja primeira edição data de 1697, a existência de diversos cafés em algumas urbes da atual Síria e Iraque, onde se fumava e bebia café, sem leite nem açúcar.

De acordo com Jean de La Roque, antes de 1554, o café não estava divulgado nem era um hábito adquirido na cidade de Constantinopla, atual Istambul.

Os primeiros europeus que navegaram pelo interior do Mar Vermelho (oriundos da Europa por via marítima e com embarcações europeias) foram os portugueses, nos anos de 1513 (Afonso de Albuquerque), 1516 (Lopo Soares de Albergaria) e 1520 (Diogo Lopes de Sequeira). Tal facto terá alertado os otomanos, para os perigos que poderiam ameaçar o seu comércio com a Índia e com os países do denominado Corno de África, sobretudo depois da primeira embaixada portuguesa (treze pessoas) enviada à Etiópia, entre 1520 e 1526, comandada por D. Rodrigo de Lima, e do exército de quatrocentos homens que acompanhou D. Cristóvão da Gama, quarto filho de Vasco da Gama, em 1541, ter desembarcado e estabelecido um contacto direto e uma aliança militar entre Portugal e a Etiópia, país de onde era originário o café.

De 1538 a 1635 os otomanos (turcos) ocuparam o litoral do Yémen. Em 1557, ocuparam Massawa, o principal porto etíope (atualmente situado na costa da Eritreia) e estabeleceram uma pequena guarnição num ponto estratégico do interior, não muito longe do Mar Vermelho. Eventualmente, terá sido a partir desta época que os turcos irão contactar mais directamente com os hábitos de beber café, quer na Etiópia quer no Yémen. O mesmo terá sucedido com os portugueses que viveram na Etiópia, entre 1490 e 1640, apesar de muito isolados da Pátria e de pouco terem escrito sobre o assunto.

O primeiro café inglês abriu em 1650, em Oxford. No final do século XVII já existiam centenas de cafés no atual Reino Unido.

Em França, Jean de La Roque escreveu que, antes de 1669 não existiam cafés em Paris. Por volta de 1670, surgiram os primeiros cafés franceses, em Marselha e em Paris, assim como o famoso Hoppe, em Amesterdão.

Em 1673 foi fundado o primeiro café alemão, na cidade de Bremen. Em 1685 foi inaugurado o primeiro café em Viena. Em 1689 abriu o primeiro café na América do Norte, em Boston.

O Florian, em Veneza, na praça de S. Marcos, é um dos mais famosos cafés europeus. Fundado em 1720, ainda hoje permanece aberto ao público.
(continua)

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